A Changi, empresa de Cingapura que controla o aeroporto internacional do Galeão, decidiu deixar o negócio, segundo fontes ouvidas pela coluna Capital, de O Globo. A decisão será formalizada possivelmente ainda hoje, após reunião do conselho da empresa em Cingapura.
Com a saída da Changi, a tendência é governo federal juntar Galeão e Santos Dumont no mesmo contrato de concessão. O senador Carlos Portinho acha a possibilidade interessante, pois em um único pacote a concessão garantiria a viabilidade operacional dos dois aeroportos.
– Lamentável a saída desta grande empresa, mas pode sim permitir uma solução para o impasse – comentou.
A decisão da Changi de sair do Brasil acontece após a Anac negar, no início do mês, o pedido de reequilibrio financeiro do aeroporto. A empresa calcula em R$ 7,5 bilhões as perdas com a pandemia e tentava abater essas perdas das outorgras a serem pagas até o final do contrato, que vai até 2039.
No entendimento da Anac, a proposta jogaria para o governo o risco da demanda ao longo da vigência do contrato. O Galeão foi um dos aeroportos internacionais que mais sofreu com a pandemia e que mais tem demorado a recuperar a demanda. O aeroporto tem perdido passageiros não apenas para o Santos Dumont no Rio, mas também com Viracopos, Confins e Guarulhos.
A concessão do Santos Dumont para a iniciativa privada é outro risco para o negócio e que está pesando na decisão da Changi de sair do país. A Changi venceu a concessão do Galeão como parceira minoritária da Odebrecht e da Infraero. Em 2017, em meio aos escândalos da Lava Jato, a Odebrecht vendeu a sua fatia para a Changi, que passou a deter 51% do aeroporto. A Infraero é dona dos outros 49%.
A saída da Changi deve acontecer de forma gradual.
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