Operação policial em Copacabana gera pedido de investigação ao MP-RJ

Deputadas solicitam apuração sobre métodos da CORE em ação que visava captura de suspeitos de homicídio, após relatos de uso de helicópteros como plataforma de tiros.

As deputadas Renata Souza (PSOL-RJ), estadual, e Talíria Petrone (PSOL-RJ), federal, encaminharam um ofício ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) solicitando a abertura de uma investigação sobre os métodos utilizados pela Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE) durante uma operação policial realizada na comunidade da Ladeira dos Tabajaras, em Copacabana, na terça-feira (15/04).

A ação, que tinha como objetivo a captura de suspeitos envolvidos no assassinato do investigador João Pedro Marquini, ocorrido em 30 de março na Zona Oeste da cidade, gerou relatos de moradores que apontam para o uso de helicópteros como “plataforma de tiros”. A operação resultou em mortes de indivíduos considerados suspeitos, além de bloqueios de vias e um clima de pânico generalizado no bairro.

As parlamentares manifestaram preocupação com o uso de helicópteros como plataforma de tiros em operações policiais, prática recentemente autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635. Elas ressaltaram a necessidade de evitar a banalização dessa prática e a exposição de vidas a riscos desnecessários.

Com base nos artigos VII e XI da Constituição Estadual, que tratam do controle externo da atividade policial, as deputadas solicitaram ao MP-RJ a apuração imediata de um possível excesso no uso da força durante a operação. Vídeos enviados por moradores da comunidade teriam reforçado a suspeita de irregularidades.

“Não questionamos a legitimidade da operação, mas exigimos transparência sobre os métodos utilizados, que impactam diretamente direitos fundamentais, em especial os direitos à vida e à segurança pública. Entendemos que o uso da força deve ser proporcional e justificado, e que o terror nunca será um caminho para a paz”, declarou Renata Souza.

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro ainda não se manifestou oficialmente sobre o recebimento do ofício e as medidas que serão tomadas em relação ao pedido de investigação. A expectativa é que o órgão apure os fatos e apresente um parecer sobre a conduta da CORE durante a operação na Ladeira dos Tabajaras.

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