A Polícia Civil do Rio e o Ministério Público do Estado (MPRJ) deflagraram, nesta quinta-feira (22), a Operação Haras do Crime para investigar um esquema de furto de combustíveis em dutos da Transpetro dentro de uma fazenda da família Garcia, em Guapimirim, na Baixada Fluminense. Até o momento, sete pessoas foram presas.
A família é conhecida por ser tradicionalmente associada à contravenção e ao carnaval carioca. O haras alvo da ação pertence às gêmeas Shanna e Tamara, filhas de Waldomiro Paes Garcia, conhecido como Maninho, ex-patrono da escola de samba Salgueiro assassinado em 2004.

Maninho era filho de Waldomiro Garcia, o Miro, outro nome histórico da contravenção. Na década de 1980, o chefe do clã comandava cerca de 250 bancas do jogo do bicho no Rio em sociedade com Ângelo Maria Longa, o Tio Patinhas.
Proprietários podem não estar envolvidos
Apesar de o esquema funcionar dentro da propriedade, não foram expedidos mandados contra integrantes da família nesta fase da operação. De acordo com a polícia, ainda não há provas de que os proprietários tinham conhecimento dos desvios. A principal linha de apuração aponta que os crimes eram praticados por pessoas que arrendavam o imóvel.
Os detidos na ação são: Caio Victor Soares Diniz Ferreira, Elton Félix de Oliveira, Jairo Lopes Claro, Patrick Teixeira Vidal, Washington Tavares de Oliveira e Leandro Ferreira de Oliveira. O sétimo suspeito ainda não teve a identidade revelada.
A ofensiva mobilizou agentes da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD) e promotores do Gaeco/MPRJ, que cumpriram 13 mandados de prisão e 29 de busca e apreensão em seis estados: Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná e Santa Catarina.
Início das investigações
As investigações tiveram início em junho de 2024, quando policiais militares se dirigiram à Fazenda Garcia para verificar a informação de que um grupo com cerca de 15 pessoas armadas estaria furtando petróleo do duto que passa no interior da propriedade.
Ao ingressarem no local, os policiais encontraram dois caminhões-tanque carregados com o combustível fóssil. De acordo com a Transpetro, o prejuízo apurado apenas nessa operação foi de R$ 5,8 milhões, sobretudo com medidas de reparo e segurança dos dutos.
De acordo com a polícia, o modus operandi identificado pela investigação demonstrou a existência de um ciclo integrado, que começava com a perfuração clandestina do duto e a proteção armada do ponto ilegal. Depois, era realizado um carregamento rápido do petróleo nos caminhões-tanque e, assim, era feito o transporte clandestino do produto por rotas interestaduais. O insumo era comercializado mediante a notas fiscais falsificadas, emitidas por empresas fachadas.
A apuração apontou ainda que foram comprovadas tentativas de intimidação reiteradas de testemunhas, destruição de provas eletrônicas e ocultação de equipamentos utilizados na prática.
Segundo o MP, as investigações apontam, ainda, pelo menos 15 empresas localizadas em diversos estados que compunham a engrenagem do esquema criminoso, especialmente no contexto da lavagem de dinheiro obtido com o furto de petróleo, sendo utilizadas para a receptação do produto, o transporte e a emissão de notas fiscais fraudulentas.
Alguns alvos já haviam sido denunciados anteriormente pela mesma prática delitiva e continuaram a conduzir o esquema criminoso, atuando em franco desrespeito às decisões judiciais.






Deixe um comentário