A Polícia Civil realizou, nesta quarta-feira (11), a Operação Tritão para desarticular um grupo criminoso envolvido na pesca ilegal e na venda clandestina de animais marinhos em Angra dos Reis, na Costa Verde do estado. Até o momento, há dois presos.
A ação foi conduzida por agentes da 166ª DP (Angra dos Reis), que cumpriram mandados de busca e apreensão no município fluminense e também em São Paulo. Segundo o delegado Roberto Ramos da Silva Santos, responsável pela investigação, a apuração começou durante o trabalho para esclarecer o assassinato de um policial civil da unidade.
“A investigação tinha como objetivo apurar a autoria do brutal assassinato do policial Helber, colega da 166ª DP. Durante o trabalho investigativo, descobrimos que um dos envolvidos possui participação em duas estruturas criminosas distintas”, explicou.
Extração ilegal de pepino-do-mar
Durante a operação, os policiais prenderam um homem apontado como gerente do esquema, contra quem havia um mandado de prisão em aberto. Além dele, os agentes prenderam outro suspeito em flagrante com cerca de 30 quilos de pepino-do-mar.
O animal marinho possui papel essencial para o equilíbrio ambiental.
Trata-se de um animal invertebrado que vive no fundo do mar e é essencial para o equilíbrio do ambiente marinho, porque consome matéria orgânica e ajuda a limpar o fundo do oceano, funcionando como uma espécie de ‘lixeiro’ natural”, disse o delegado
Ainda segundo a investigação, o pepino-do-mar possui alto valor comercial no mercado internacional, especialmente na cultura asiática, onde é considerado uma iguaria. A polícia identificou uma cadeia criminosa estruturada para a extração e comercialização do animal.
O grupo tem origem em São Paulo e mantinha um representante em Angra dos Reis responsável por coordenar as atividades na região.
“A dinâmica do crime consiste na contratação de mergulhadores, que descem até o fundo do mar para extrair esses animais. Depois da coleta, os pepinos-do-mar são levados para o continente, onde passam por um processo de desidratação em estufas. Após esse procedimento, o material é encaminhado para São Paulo”, detalhou o delegado.
Ainda conforme a polícia, os mergulhadores recebiam cerca de R$ 200 por quilo do produto e o grupo chegou a movimentar aproximadamente R$ 250 mil em apenas um mês. A polícia também identificou transferências financeiras de grande valor relacionadas à atividade, muitas delas realizadas por meio de Pix.
Vídeo mostra preparação do material
Durante a investigação, os policiais reuniram vídeos que mostram integrantes do grupo manipulando e preparando os animais após a extração. Em uma das gravações obtidas pela polícia, um dos envolvidos aparece exibindo o material já desidratado e explica o processo de preparação para comercialização.
“37,5 kg disso aqui já seco. Ainda falta essa parte aqui secar. Tive que tirar tudo de baixo, lavar tudo, porque veio com muito sal. Já chamei a atenção dos mergulhadores que trazem para mim. Eles têm que lavar duas ou três vezes, porque o sal faz o bicho demorar a secar e acaba estragando ele”, afirma no vídeo. Assista abaixo:
Ligação com o tráfico de armas
As investigações também apontaram que o homem apontado como gerente da estrutura criminosa também estaria envolvido na fabricação e manutenção de armamentos utilizados por criminosos ligados à facção Comando Vermelho em Angra dos Reis.
“A investigação reuniu evidências, incluindo vídeos que mostram esse suspeito fabricando silenciadores para fuzis e realizando manutenção em armas utilizadas por criminosos na região”, afirmou o delegado.
Ao todo, dez pessoas foram identificadas no inquérito, e a Justiça expediu mandados de busca e apreensão contra os investigados.
*Estagiária sob supervisão de Thiago Antunes






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