Às vésperas da Conferência do Clima (COP 30), que será realizada em novembro em Belém, a Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou um alerta preocupante: os níveis de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera atingiram um recorde histórico em 2024. Segundo o colunista Jamil Chade, do portal UOL, novo relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência vinculada à ONU, aponta que o planeta entrou em um patamar que “compromete o planeta a um aumento de temperatura a longo prazo”.
O estudo revela que o aumento das emissões provocadas por atividades humanas, somado à intensificação dos incêndios florestais e à menor capacidade de absorção de carbono por ecossistemas terrestres e oceânicos, vem alimentando um “ciclo climático vicioso”.
Crescimento sem precedentes nas medições
De acordo com a OMM, “as taxas de crescimento de CO2 triplicaram desde a década de 1960, acelerando de um aumento médio anual de 0,8 ppm por ano para 2,4 ppm por ano na década de 2011 a 2020”.
O salto mais recente foi registrado entre 2023 e 2024, quando a concentração média global de CO2 subiu 3,5 ppm — o maior aumento desde o início das medições modernas, em 1957.
“O calor retido pelo CO2 e outros gases de efeito estufa está turbinando nosso clima e levando a eventos climáticos mais extremos. Reduzir as emissões é, portanto, essencial não apenas para o nosso clima, mas também para a nossa segurança econômica e o bem-estar da comunidade”, afirmou o secretário-geral adjunto da OMM, Ko Barrett.
Pressão sobre os governos na COP 30
A entidade reconhece que os dados colocam pressão sobre os líderes mundiais que estarão no Brasil para a COP 30. Para a coordenadora do Boletim de Gases de Efeito Estufa da OMM, Oksana Tarasova, “manter e expandir o monitoramento de gases de efeito estufa é fundamental para apoiar esses esforços”. O documento divulgado é a 21ª edição do boletim e serve como base científica para negociações climáticas internacionais.
Segundo o relatório, cerca de metade do CO2 emitido anualmente permanece na atmosfera, enquanto o restante é absorvido por florestas e oceanos. No entanto, esse equilíbrio está ameaçado. “À medida que a temperatura global aumenta, os oceanos absorvem menos CO2 devido à diminuição da solubilidade em temperaturas mais altas, enquanto os sumidouros terrestres são impactados de diversas maneiras, incluindo o potencial para secas mais persistentes”, explica a OMM.
Influência do El Niño e dos incêndios florestais
A agência destaca que o crescimento recorde de CO2 entre 2023 e 2024 está relacionado à “grande contribuição das emissões de incêndios florestais e à redução da absorção de CO2 pela terra e pelo oceano em 2024 — o ano mais quente já registrado, com um forte El Niño”.
“Durante os anos de El Niño, os níveis de CO2 tendem a aumentar porque a eficiência dos sumidouros de carbono terrestres é reduzida pela vegetação mais seca e pelos incêndios florestais — como foi o caso da seca excepcional e dos incêndios na Amazônia e no sul da África em 2024”, informou a OMM.
Oksana Tarasova, cientista sênior da entidade, reforçou a preocupação com a tendência: “Há uma preocupação de que os sumidouros de CO2 terrestres e oceânicos estejam se tornando menos eficazes, o que aumentará a quantidade de CO2 que permanece na atmosfera, acelerando assim o aquecimento global. O monitoramento sustentado e reforçado dos gases de efeito estufa é fundamental para a compreensão desses ciclos”.
Metano e óxido nitroso também batem recorde
O relatório aponta ainda que outros gases de efeito estufa também atingiram níveis inéditos. A concentração média global de metano chegou a 1.942 partes por bilhão (ppb) em 2024, um aumento de 166% em relação aos níveis pré-industriais (anteriores a 1750).
Já o óxido nitroso, terceiro gás mais relevante no aquecimento global, atingiu a marca de 338,0 ppb — um crescimento de 25% em relação ao período pré-industrial.
Com esses resultados, a OMM alerta que o planeta se aproxima de um ponto crítico de aquecimento global. O relatório reforça que sem uma redução drástica nas emissões, os compromissos climáticos assumidos até agora serão insuficientes para conter o aumento da temperatura média global abaixo de 1,5°C, meta estabelecida no Acordo de Paris.






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