Ondas de até 2,5 metros mantêm alerta de ressaca no litoral do Rio até esta sexta-feira

Ondas podem chegar a 2,5 metros e causar impactos em áreas urbanas e naturais, avisa Marinha

A Marinha do Brasil prorrogou o aviso de ressaca no litoral do estado do Rio de Janeiro, estendendo o alerta até a manhã de sexta-feira (1º). As ondas, que já atingiram até quatro metros de altura em alguns pontos, ainda podem chegar a 2,5 metros ao longo da faixa que vai da capital até Arraial do Cabo, na Região dos Lagos.

O fenômeno é resultado da combinação da passagem de uma frente fria e um ciclone extratropical. Desde terça-feira (29), a ressaca tem provocado alagamentos e impactos na orla de diversos municípios, como o bairro do Leblon, na Zona Sul do Rio, e cidades da Região Metropolitana, como Maricá, além de Saquarema, na Região dos Lagos.

Impactos na orla e restrições à navegação

No Leblon, as ondas atingiram quase quatro metros, invadindo ruas, calçadas e calçadões, o que surpreendeu motoristas, ciclistas e pedestres. Quiosques ficaram inundados e estações de exercícios foram deslocadas pela força da água. A Avenida Delfim Moreira chegou a ser interditada e só foi totalmente reaberta na madrugada desta quinta-feira.

Além do Leblon, as cidades de Maricá e Saquarema também sofreram com o avanço do mar. Em Maricá, ondas de até 3,5 metros invadiram áreas urbanas, calçadões e asfaltos, enquanto em Saquarema o mar avançou a ponto de “engolir” uma van estacionada, segundo registros locais.

Em relação à navegação, a Capitania dos Portos do Rio de Janeiro (CPRJ) declarou inicialmente a impraticabilidade total da Baía de Guanabara, proibindo qualquer navegação devido ao mau tempo. A partir desta quinta-feira, a situação foi flexibilizada para impraticabilidade parcial, permitindo manobras de navios com calado de até 10 metros nos canais de acesso. No entanto, o transporte recreativo, de passageiros e de carga segue restrito até que as condições melhorem.

Urbanização desordenada agrava os efeitos da ressaca

Para a geógrafa marinha Flávia Lins de Barros, professora da UFRJ e especialista em erosão costeira, os efeitos da ressaca são potencializados pela ocupação irregular e desordenada da orla.

“Os efeitos são mais sentidos em pontos como o Leblon porque ali não há mais a proteção natural das dunas e restingas. Além disso, construções, quiosques e o próprio calçadão avançaram para a faixa de areia, espremendo a praia e tornando a orla mais vulnerável”, explica.

A especialista alerta que, se a destruição das proteções naturais continuar, os problemas causados pela ressaca tendem a se agravar, especialmente diante das mudanças climáticas que aumentam a frequência e intensidade desses fenômenos.

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