Olheiro identificado pela polícia teria avisado assassinos do delator do PCC ao disparar alarme em carro usado no crime

Gritzbach, que era alvo do Primeiro Comando da Capital (PCC), foi morto com 29 tiros de fuzil logo após desembarcar de uma viagem ao Nordeste

A investigação do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) revelou detalhes sobre o assassinato de Vinícius Gritzbach, ocorrido no dia 8 de novembro no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. O DHPP identificou que um olheiro foi responsável por alertar os assassinos sobre a presença de Gritzbach no saguão do Terminal 2 do aeroporto.

Gritzbach, que era alvo do Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa considerada uma das maiores do Brasil, foi morto com 29 tiros de fuzil logo após desembarcar de uma viagem ao Nordeste. Ele estava acompanhado de sua namorada e de uma escolta particular, composta por seguranças, incluindo um policial militar.

Quando o casal chegou ao saguão, o olheiro acionou um alarme sonoro localizado no carro usado pelos executores. Minutos depois, Gritzbach foi executado diante da namorada e de várias testemunhas. Após o crime, os assassinos fugiram em um Volkswagen Gol preto, que foi encontrado posteriormente próximo ao aeroporto. A localização do veículo ajudou a polícia a identificar o sistema sonoro usado para avisar sobre a chegada da vítima.

Como mostrado pelo Metrópoles, o veículo foi captado por câmeras de monitoramento antes do crime. O carro dá ao menos três voltas no acesso à plataforma de desembarque que seria usada por Gritzbach. Após o alerta do olheiro, o Gol preto foi deslocado para a frente de um ônibus da Guarda Civil Municipal, de onde a dupla de matadores desembarcou.

Até o momento, a polícia não conseguiu identificar ou prender nenhum dos assassinos. Pelo menos 13 policiais são investigados: oito militares que faziam a escolta do empresário e cinco policiais civis que foram denunciados, por Gritzbach, por corrupção.

A investigação ainda mostra que alguns dos policiais são suspeitos de sociedade em diversas empresas. Além de exercerem atividades externas não permitidas pela polícia, eles teriam patrimônio incompatível com os seus rendimentos.

Membros do PCC, um agente penitenciário e uma pessoa que devia dinheiro a Gritzbach também estão entre os suspeitos do crime.

Vinícius Gritzbach era réu em processos pelo suposto envolvimento no homicídio de dois membros do PCC e por lavar dinheiro para a facção. Ele respondia aos crimes em liberdade e, em abril, teve sua delação premiada com o Ministério Público de São Paulo (MPSP) homologada pela Justiça. O acordo permitiria que o empresário tivesse redução das penas no caso de eventuais condenações. Em troca, ele denunciou integrantes da facção por estelionato e agentes de segurança por extorsão.

Segundo a defesa de Gritzbach, um áudio que faz parte da delação revela detalhes de sua relação com o advogado Ahmed Hassan, o Mude, que aparece na gravação com um policial civil não identificado oferecendo R$ 3 milhões para ele matar o delator.

Gritzbach também acusou policiais civis, entre eles um delegado do DHPP, de cobrarem R$ 40 milhões para engavetarem a investigação sobre os assassinatos dos dois integrantes do PCC, atribuídos ao delator. A propina não teria sido paga.

A investigação do fuzilamento de Gritzbach trouxe à tona detalhes do acordo de delação com o MPSP. Por medo de ser morto pela facção, ele contou à polícia, em 2022, que chegou a ficar 21 dias sem sair de casa, junto de sua família. Segundo os autos, ninguém podia sair de casa nem mesmo para “fazer compras de alimentos e as crianças irem à escola”.

Trocas de e-mails entre a defesa de Vinícius Gritzbach e promotores de Justiça mostram tensão nas tratativas para que ele firmasse o acordo de delação sobre a lavagem de dinheiro para o PCC. Ao longo da negociação, que durou meses, ele tentou blindar ao máximo seu patrimônio, que inclui uma longa lista de imóveis, lanchas e até um helicóptero. Isso levou os promotores a ameaçarem rejeitar a proposta de colaboração.

Com informações do Metrópoles.

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