Antes de desabar e deixar três mortos na Zona Leste de São Paulo, o prédio de 11 andares em construção já carregava um histórico de irregularidades, interdição, multas e disputa judicial. A Prefeitura havia determinado a paralisação da obra ainda em 2019 e, dois anos depois, uma das penalidades aplicadas aos responsáveis chegou a R$ 119 mil.
As informações sobre o histórico da construção foram apresentadas pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB) durante entrevista coletiva no local da tragédia. O edifício desabou na madrugada de sábado (12), atingindo uma residência vizinha.
Segundo Nunes, em 2019 a Prefeitura constatou que a construção avançava sem alvará. Os responsáveis foram autuados e o município determinou a interdição do local. A ordem, porém, não teria sido cumprida e os trabalhos continuaram.
A situação levou o município a recorrer à Justiça em 2021. A Procuradoria Geral do Município entrou com uma ação para impedir a continuidade da construção. No mesmo período, novas autuações foram realizadas e multas foram aplicadas, incluindo uma de R$ 119 mil.
Autorização exigia demolição da estrutura anterior
O histórico administrativo ganhou um novo capítulo em 2024. De acordo com o prefeito, em um novo processo, a autorização municipal para erguer outra edificação ficou condicionada à demolição da estrutura que já existia no terreno. A exigência determinava que somente depois da retirada da construção anterior uma nova obra poderia ser realizada dentro das regras estabelecidas pela legislação.
O caso passou a ser novamente examinado após o desabamento. Além da investigação sobre as causas da queda do prédio, as circunstâncias envolvendo o histórico de fiscalização e as autorizações concedidas à construção estão no centro das apurações.
Enquanto isso, o Corpo de Bombeiros mantém as buscas por três pessoas que permanecem desaparecidas: uma criança e duas mulheres. As equipes continuaram trabalhando durante a madrugada deste domingo (13). Até agora, três mortes foram confirmadas em consequência do desabamento.
Construtora abre investigação interna
A New Home Construtora, responsável pela obra, informou que iniciou uma investigação interna para apurar as circunstâncias que levaram à queda do edifício. Segundo a empresa, ainda não existem informações suficientes para determinar o que provocou o desabamento. A construtora também chamou atenção para um terreno vizinho onde, segundo ela, são realizadas movimentações de terra.
A eventual relação entre essas intervenções e a queda do prédio será considerada durante a apuração, de acordo com a empresa. As causas da tragédia, portanto, ainda não foram estabelecidas. As investigações deverão avaliar tanto as condições da obra que desabou quanto outros fatores que possam ter contribuído para o acidente.
Enquanto avançam as apurações administrativas e sobre as responsabilidades pelo empreendimento, a prioridade das equipes de emergência permanece sendo encontrar as três pessoas ainda desaparecidas sob os escombros.







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