O aplicativo de transporte clandestino criado para extorquir motociclistas na comunidade da Vila Kennedy, Zona Oeste do Rio, foi desenvolvido por um programador ligado ao Comando Vermelho. As investigações indicam que o cadastro do desenvolvedor foi feito em nome de terceiros, conhecidos como laranjas.
O aplicativo era chamado de Rotax Mobili, e tinha como slogan a frase: “O único aplicativo de viagens de carro e moto que passa pela barricada e te deixa na porta de casa.” Veja o vídeo:
“Vamos respeitar, entendeu? Se não estiver levando isso a risca, já sabe, né? Vão vir depois falar que ‘nóis’ é carrasco, que ficamos entrando no caminho. Quem não quiser, vai ficar na boca de fumo, vai caçar trabalho de carteira assinada, não fica dando dor de cabeça, vai vender bala, água no sinal. Vamos se ligar”, diz um trecho de um dos vídeos divulgando o aplicativo.
Segundo o delegado Alexandre Netto, titular da 34ª DP (Bangu) e responsável pelas investigações, já existe um mandado de prisão contra o desenvolvedor, que não foi identificado para não prejudicar o andamento da operação Rota das Sombras, deflagrada na manhã desta sexta-feira (8). Cinco pessoas já foram presas.
“Esse aplicativo foi criado por um desenvolvedor, é um aplicativo muito similar a outros [de transporte], mas esse desenvolvedor que consta no sistema, na verdade, ele é um laranja, é uma pessoa se passando por desenvolvedor e que, na verdade, é um membro do Comando Vermelho. Contra ele já consta um mandado de prisão”, detalhou ao Agenda do Poder.
Aplicativo imitava os tradicionais

De acordo com as investigações, os mototaxistas eram obrigados a usar esse aplicativo, que simulava ser uma plataforma legal de mobilidade urbana, semelhante a de outras empresas já usadas no Rio.
O objetivo, no entanto, era financiar o tráfico de drogas. Os outros apps de transporte eram proibidos de atuar na região.
“A investigação chegou à conclusão que as empresas nas quais os valores eram destinados eram empresas de fachadas e utilizadas para financiar o tráfico de drogas, após a mediante a coação desses mototaxistas, e também impedindo que outros aplicativos atuassem naquela região”, explica Netto.
O grupo era dividido em dois núcleos: um responsável por coagir e controlar os mototaxistas, por meio de ameaças e extorsões, e outro encarregado de administrar e repassar os valores ao chefe do tráfico local.
As investigações apontaram que mais de 300 mototaxistas estavam cadastrados no sistema, gerando lucros mensais para a quadrilha que podem chegar a R$ 1 milhão.






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