O Rio de Janeiro oficializou nesta sexta-feira (12) o início de seu ciclo como Capital Mundial do Livro, título concedido pela Unesco e inédito entre cidades de língua portuguesa. O lançamento da marca e do programa de atividades que marcarão o ano ocorreu em uma cerimônia simbólica no Real Gabinete Português de Leitura, no Centro da cidade, reunindo autoridades, escritores e amantes da literatura, informa O Globo.
Com o slogan “O Rio de Janeiro continua lendo”, em referência à canção Aquele Abraço, de Gilberto Gil, a nova identidade visual remete às paisagens icônicas da cidade, como o Pão de Açúcar e o arco da Apoteose, combinando o formato de um livro aberto com tons de roxo e rosa. Segundo o prefeito Eduardo Paes, a imagem sintetiza o espírito do projeto:
— O Rio se transforma num livro aberto que se estende até a Apoteose. Ao trabalharmos pelo livro, fazemos jus à história do Brasil — afirmou, em um discurso lido, em sintonia com o tema.
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, emocionou os presentes ao cantar um trecho de Fanatismo, poema de Florbela Espanca eternizado na voz de Fagner. Ela destacou o simbolismo do momento:
— Hoje é um momento marcante para o Rio. Reafirmamos o nosso compromisso com a democratização da leitura nesse lugar glorioso que é o Rio de Janeiro, um farol da cultura, da leitura e da escrita no Brasil.
Palácio Capanema será reaberto este no totalmente restaurado
Durante o evento, foi assinado um protocolo de colaboração entre o Ministério da Cultura e a Prefeitura do Rio, com foco em ações de incentivo à leitura. A ministra também mencionou a entrega do Palácio Capanema, um ícone do modernismo brasileiro, previsto para este ano totalmente restaurado.
Parceria com TikTok vai incentivar consumo de livros por jovens
O secretário municipal de Cultura, Lucas Padilha, anunciou parcerias com o TikTok e a plataforma Audible, da Amazon, para incentivar o consumo de conteúdo literário entre os jovens e promover os chamados booktokers, influenciadores digitais que falam sobre livros.
Entre os destaques da programação estão a Bienal do Livro, em junho, com atrações como uma roda-gigante literária; o evento Noite com Livros, em 23 de abril, com viradões de leitura em bibliotecas e livrarias; e o projeto Rio de Livros, com balcões de trocas em locais como o Terminal Gentileza, Metrô e Supervia. Também estão previstas reedições nas coleções Clássicos Cariocas e Bairros Cariocas, além da Academia Editoria Jr., voltada à formação de novos editores.
Outra novidade é a Caixa da Lusófona, que será inaugurada também no dia 23. A proposta é itinerante: levar livros de autores de países de língua portuguesa para escolas e bibliotecas ao longo do ano.
— A Capital Mundial do Livro é a nossa Olimpíada. A gente precisava de uma tocha, e essa caixa cumpre esse papel — brincou Padilha.
O conteúdo da caixa permanece em segredo, mas a promessa é que ela seja um símbolo de conexão literária entre culturas que compartilham a língua portuguesa.





