Capital Mundial do Livro em 2025, Rio lança vasta programação com foco na leitura; veja os destaques

Com o slogan “O Rio de Janeiro continua lendo”, cidade celebra título da Unesco com eventos por escolas, livrarias, terminais de transporte e centros culturais

O Rio de Janeiro deu o pontapé inicial para o ano em que ostentará o título de Capital Mundial do Livro, concedido pela Unesco. A marca oficial foi revelada na manhã desta sexta-feira (12), em cerimônia no Real Gabinete Português de Leitura, no Centro, abrindo o calendário de ações que se estenderão até abril de 2025. Esta é a primeira vez que uma cidade de língua portuguesa recebe a honraria.

Criada por designers cariocas e escolhida pela Academia Brasileira de Letras (ABL), a identidade visual do projeto convida o público a diversas leituras. Em traços simples, remete ao Pão de Açúcar e ao Morro da Urca, mas também sugere um livro aberto, uma ave em voo, e até mesmo os arcos da Praça da Apoteose. Tudo depende do olhar — como a literatura.

O slogan da campanha também foi elaborado pela ABL: “O Rio de Janeiro continua lendo”, em referência ao clássico “Aquele Abraço”, de Gilberto Gil. A marca estará presente em espaços da cidade a partir deste mês, integrando uma ampla programação que incluirá bibliotecas, escolas, livrarias, centros culturais, estações de trem e de metrô.

Entre as principais ações previstas estão a Bienal do Livro com atrações interativas, a Noite com Livros com rodas de leitura noturnas, a Book Parade Rio 2025, inspirada na Cow Parade, o projeto Rio de Livros com estações de troca de exemplares, e a Academia Editorial Jr., voltada à formação de jovens para o setor editorial. A programação também incorporará eventos tradicionais como a Flip e as festas literárias de Santa Teresa e Santa Cruz.

— Ao longo deste ano, vamos trabalhar ainda mais pela cultura do livro e da leitura, traduzindo mais e melhores políticas públicas nas áreas de cultura e educação. Daqui a um ano, veremos que valeu muito a pena sermos a Capital Mundial do Livro — declarou o prefeito Eduardo Paes, em discurso lido durante o evento.

A ministra da Cultura, Margareth Menezes, emocionou os presentes ao cantar à capela “Fanatismo”, poema de Florbela Espanca musicado por Fagner. Em seguida, destacou: — “A leitura é uma ponte que nos conecta com outras realidades, que nos ensina a respeitar as diferenças e a abraçar a diversidade. É um motor de justiça social e uma fonte de inspiração para as nossas vidas”.

Um dos destaques do evento foi a Caixa Literária da Língua Portuguesa, trazida de Lisboa com obras de autores lusófonos de países africanos, Portugal e Timor-Leste. O conteúdo, por enquanto, é segredo. — “Eu sei quais são todos os livros, mas não vou contar”, brincou o secretário municipal de Cultura, Lucas Padilha.

A caixa será aberta após o dia 23 de abril — quando começa oficialmente o ciclo do Rio como Capital Mundial do Livro — e circulará por escolas, igrejas, terreiros e parques. Ao final do período, outra caixa será enviada a Rabat, no Marrocos, que assumirá o título em 2026.

— O Rio como capital mundial do livro irá contribuir, também, para que o português seja mais acolhido nos organismos internacionais, principalmente na ONU — destacou Merval Pereira, presidente da ABL.

— Que o exemplo do Rio reverbere em todo o Brasil — completou Marlova Jovchelovitch Noleto, diretora da Unesco no país.

Com informações de O GLOBO.

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