O que se sabe sobre a colisão de helicópteros que deixou seis mortos no Recreio

Cantor americano Oliver Tree e o influenciador argentino Gaspi estão entre as vítimas do acidente ocorrido na manhã de domingo (14)

A colisão entre dois helicópteros na manhã de domingo (14), no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio, terminou com a morte de seis pessoas. As aeronaves caíram em um terreno utilizado pela montadora BYD após, segundo relatos de testemunhas, se chocarem ainda no ar.

O acidente será investigado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão ligado à Força Aérea Brasileira.

A seguir, veja os principais pontos já conhecidos sobre o caso.

Quem são as vítimas?

As autoridades confirmaram a morte de seis pessoas.

No helicóptero de matrícula PP-MAC estavam:

  • Alexandre Souza, piloto;
  • Gaspar Prim Díaz, conhecido como Gaspi, influenciador argentino;
  • Lucas Brito Chaves, o DJ e produtor Lucas Frota;
  • Lucas Vignale, diretor de videoclipes argentino;
  • Oliver Tree, cantor e produtor norte-americano.

O piloto da segunda aeronave, Charles Marsillac, também morreu no acidente. Ele estava sozinho.

Oliver Tree era conhecido internacionalmente por sucessos como ‘Miss You’ e ‘Life Goes On’. Já Gaspi acumulava milhões de seguidores com vídeos de humor produzidos nas ruas de Buenos Aires.

Gaspi e Oliver Tree | Reprodução

Lucas Frota era filho da advogada Cristiane Frota e enteado do desembargador Elton Leme. O rapaz morava em Miami, onde trabalhava como DJ e estava no Rio de Janeiro de férias. No momento do acidente, Lucas seguia para a casa da família em Angra dos Reis, na Costa Verde.

Como ocorreu o acidente?

De acordo com testemunhas, os dois helicópteros colidiram durante o voo e perderam o controle. O Corpo de Bombeiros foi acionado às 8h59 para atender à ocorrência.

Após o choque, as aeronaves caíram em um terreno localizado entre a Avenida das Américas e as ruas Beth Lago e Rivadávia Campos.

O helicóptero que transportava Oliver Tree, Gaspi e os demais passageiros explodiu ao atingir o solo. O fogo atingiu veículos elétricos estacionados no local, provocando novas explosões e uma intensa fumaça que pôde ser vista de diferentes pontos da cidade.

A segunda aeronave caiu sem incêndio, mas o piloto morreu preso às ferragens.

Por causa da operação de resgate, a pista lateral da Avenida das Américas precisou ser interditada.

Quais helicópteros estavam envolvidos?

A aeronave PP-MAC era um Eurocopter AS 350 B2, conhecido no Brasil como Esquilo. Fabricado em 2012, o modelo tem capacidade para cinco passageiros além do piloto e é amplamente utilizado em operações executivas, de segurança e resgate.

Câmera flagrou helicóptero caindo | Reprodução

Já o helicóptero PR-DJJ era um Bell 206B fabricado em 1999. A aeronave comporta até quatro passageiros além do piloto e costuma ser empregada em voos turísticos, transporte executivo e treinamentos.

Quem são os proprietários das aeronaves?

Segundo registros da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o Bell 206B pertence a Mauricio da Cunha e Silva Espindola Dias.

O Eurocopter AS 350 B2 tem como proprietário Oswaldo de Luca Filho.

De acordo com registros da agência, Oswaldo foi autuado pela Anac em julho de 2025 por não apresentar documentos solicitados durante uma fiscalização. Na ocasião, acabou sendo aplicada multa de R$ 8 mil.

O proprietário não está entre as vítimas do acidente. Em declaração no local do acidente, o prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere (PSD), destacou a experiência dos pilotos envolvidos. 

O que será investigado?

As causas da colisão ainda são desconhecidas. A investigação ficará sob responsabilidade do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão ligado à Força Aérea Brasileira.

Os investigadores já iniciaram os trabalhos de campo para coletar informações, preservar vestígios e analisar os fatores que podem ter contribuído para o acidente.

A Agência Nacional de Aviação Civil informou que também apura a situação das aeronaves e dos pilotos envolvidos. A Anac disse ainda que vai investigar se as aeronaves realizavam transporte clandestino de passageiros. Os dois pilotos e as duas aeronaves estavam em situação regular no momento do acidente.

Nota do Cenipa

“A Força Aérea Brasileira (FAB), por meio do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), informa que, neste domingo (14), investigadores do Terceiro Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa 3), com sede no Rio de Janeiro–RJ, foram acionados para realizar a ação inicial da ocorrência envolvendo duas aeronaves, de matrículas PP-MAC e PR-DJJ, no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro–RJ. 

Durante a ação inicial, profissionais qualificados e credenciados aplicam técnicas específicas para coleta e confirmação de dados, preservação de elementos, verificação inicial dos danos causados à aeronave ou pela aeronave, além do levantamento de outras informações necessárias à investigação.” 

Nota da Anac

“A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informa que tomou ciência do acidente aéreo, envolvendo dois helicópteros, hoje, 14 de junho, no Rio de Janeiro, e está apurando a situação das aeronaves e pilotos envolvidos no caso. As investigações sobre as causas, por sua vez, serão conduzidas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).

A Anac lamenta o ocorrido, se solidariza com familiares e amigos das vítimas e reitera a todos os passageiros de voos da chamada aviação geral que verifiquem a situação de empresas e aeronaves antes do embarque. Essa checagem pode ser feita na plataforma Voe Seguro. A Agência destaca ainda que o transporte ilegal de passageiros é crime e coloca vidas em risco.”

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