* Paulo Baía.
No ” Tempo Presente” , em que expressões como “enclave,” “gueto,” “refugiados,” “extermínio,” “genocídio” tornam-se banais, lembrar de Ailton Krenak na ABL é uma obrigação. A influente jornada de Ailton Krenak começou em 1953, em Minas Gerais, e é notável pelo seu compromisso com o ativismo socioambiental e a defesa dos direitos das comunidades indígenas. Além de suas atividades como ativista, ele também é conhecido como ambientalista, filósofo, poeta e escritor.
Nos anos 1980, Krenak concentrou seus esforços no movimento indígena. Ele foi um dos fundadores do Núcleo de Cultura Indígena em 1985 e desempenhou um papel fundamental na criação da União dos Povos Indígenas em 1988. Além disso, ele teve um papel importante na fundação da Aliança dos Povos da Floresta, uma organização que lutava pela demarcação de reservas naturais na Amazônia.
A contribuição de Krenak à proposta da UNESCO levou à criação da Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço em 2005. Seu legado foi imortalizado no documentário “Ailton Krenak e o Sonho de Pedra”, lançado em 2017. Krenak desafiou as noções convencionais de igualdade de acesso à humanidade em seu livro “Ideias para Adiar o Fim do Mundo” e lançou obras críticas, como “O Amanhã Não Está à Venda” e “A Vida Não É Útil.”
Em 2023, Ailton Krenak fez história ao ser eleito para a Academia Brasileira de Letras, tornando-se o primeiro representante indígena nessa renomada instituição literária. Essa eleição é de grande importância, pois celebra não apenas sua figura como escritor e ativista, mas também representa um compromisso renovado da Academia com a diversidade linguística e cultural do Brasil. Além de suas realizações literárias, Krenak desafia as normas estabelecidas, destacando a importância da preservação ambiental e dos direitos indígenas, ao mesmo tempo que propõe uma visão de coexistência entre as cidades e a natureza.
O legado de Ailton Krenak é um testemunho poderoso do impacto que um indivíduo dedicado pode ter na transformação da sociedade e na construção de um mundo mais justo e equitativo. Sua eleição para a Academia Brasileira de Letras representa um passo em direção a uma academia mais inclusiva e diversificada, ao mesmo tempo que sua dedicação contínua à causa indígena e ao meio ambiente continua a inspirar e desafiar as noções convencionais.
* Sociólogo, cientista político e professor da UFRJ.*





