Ailton Krenak se torna o primeiro indígena eleito para a Academia Brasileira de Letras

O indígena Ailton Krenak foi eleito nesta quinta-feira (5) para a Academia Brasileira de Letras (ABL), tornando-se o primeiro indígena a fazer parte da instituição centenária. Favorito desde o início, Krenak recebeu 23 votos, superando a historiadora Mary Del Priore (12 votos) e outro representante indígena, o escritor Daniel Munduruku (3 votos). Ao contrário dos…

O indígena Ailton Krenak foi eleito nesta quinta-feira (5) para a Academia Brasileira de Letras (ABL), tornando-se o primeiro indígena a fazer parte da instituição centenária. Favorito desde o início, Krenak recebeu 23 votos, superando a historiadora Mary Del Priore (12 votos) e outro representante indígena, o escritor Daniel Munduruku (3 votos). Ao contrário dos seus concorrentes, o novo imortal não fez campanha, ficando a maior parte do seu tempo na Reserva Indígena Krenak, no município de Resplendor, no estado de Minas Gerais.

Krenak é Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal de Juiz de Fora e ocupa a cadeira 24 da Academia Mineira de Letras. Nascido no vale do rio Doce, uma região afetada pela atividade de extração mineira, mudou-se para o Paraná aos 17 anos, onde se alfabetizou. Após participar da fundação da União Nacional dos Indígenas (UNI), o primeiro movimento indígena de expressão nacional, ele comoveu o país com um discurso na Assembleia Nacional Constituinte, em 1987, em que pintou o rosto com a tinta preta de jenipapo em protesto ao retrocesso dos direitos indígenas.

Seu apelo na época foi essencial para a aprovação da emenda constitucional que trata dos direitos dos povos originários. O sucesso de seus livros mais recentes, como “A vida não é útil” e “Ideias para adiar o fim do mundo”, ambos publicados pela Companhia das Letras, difundiu o pensamento ameríndio para o grande público, propondo novos modos de vida e maneiras de se relacionar com o meio ambiente. Krenak critica o que ele chama de “humanidade zumbi”, uma ideia de progresso que deslocou os homens do corpo da terra e nos levou o consumo desenfreado e à destruição da natureza.

— Quando eu falava há uns 10 anos, com exceção dos antropólogos, ninguém entendia o que eu estava falando — diz Krenak. — Achavam que eu via filme de ficção-científica demais.

A urgência climática mudou este cenário, dando mais atenção a vozes como a do líder indígena.

Com informações de O  Globo

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading