Globo e Folha questionam presença de Toffoli na final da Champions em Londres

Toffoli foi também ao jantar de aniversário do empresário Alberto Leite, que teve a presença de políticos

A presença do ministro do STF Dias Toffoli na final da Champions League entre Real Madri e Borussia Dortmund, no estádio de Wembley, no sábado passado, é questionada pelos dois principais jornais do país, o Globo e Folha de São Paulo, que publicam nesta quinta-feira, 6, reportagens sobre o assunto.

No Globo, em sua coluna no jornal on line, o repórter Lauro Jardim informa que “Toffoli era um dos convidados do camarote comprado pelo empresário Alberto Leite, dono da FS Security e próximo do governo de Jair Bolsonaro”.

Questionado, continua Lauro, Toffoli disse que as passagens, hospedagem e outras despesas foram pagas por ele. Recusou-se a informar, contudo, se houve gastos com segurança na viagem.

Segundo a coluna, “entre abril e maio, Toffoli usou R$ 99,6 mil de recursos públicos para pagar 25 diárias internacionais de um segurança em Londres e Madrid, como revelou a “Folha de S. Paulo”. Ontem, o jornal também mostrou que o STF gastou R$ 200 mil em diárias com quatro seguranças em viagem de ministros no fim do ano passado aos EUA.

Toffoli teve outro encontro com Leite. Compareceu, na véspera do jogo, ao jantar de aniversário do empresário. A comemoração contou também com a presença de políticos. 

Leite chegou a publicar em seu perfil no Instagram uma foto ao lado do ministro, mas apagou pouco depois. O registro, com ambos sorridentes, constava em um “carrossel” (post com várias imagens em sequência) no qual aparecem outras personalidades.

À coluna, Leite negou que Toffoli tenha ido como seu convidado, mas confirmou que o encontrou e posou para uma foto ao lado dele. Disse ainda que não se lembrava da publicação e nem de tê-la apagado. Explicou que tem uma equipe que cuida de suas redes sociais e mandou algumas imagens para sua turma selecionar.  Pelo visto, selecionaram a foto errada…

Leite, aliás, foi patrocinador do 1º Fórum Jurídico Brasil de Ideias, também na capital inglesa, que reuniu em abril nomes como Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski, Paulo Gonet e o próprio Toffoli.

Em nota, Toffoli afirmou que “nenhuma viagem reduz o ritmo de trabalho e os estudos por parte do ministro, que segue trabalhando em seus votos, em suas decisões e participando das sessões colegiadas”. Acrescentou que em nenhuma delas recebeu passagens ou diárias do STF e que a orientação da segurança é não informar razões e locais de deslocamento.

Eis a íntegra da nota:

“As passagens, hospedagem e outras despesas foram pagas pelo próprio ministro; já os gastos com segurança estão disponíveis de modo globalizado no portal da transparência. Quando tomou posse no Supremo Tribunal Federal, o Ministro Dias Toffoli herdou um acervo de 12 mil processos e o entregou à Ministra Cármen Lúcia em 2018, ao assumir a Presidência do STF, com menos de 2 mil processos. Atualmente, segundo dados estatísticos do Tribunal, que são públicos, o Ministro Toffoli tem o segundo menor acervo do Supremo Tribunal Federal. Nenhuma viagem reduz o ritmo de trabalho e os estudos por parte do ministro, que segue trabalhando em seus votos, em suas decisões e participando das sessões colegiadas. Além disso, em nenhuma viagem o Ministro recebeu passagens ou diárias do STF. Segundo o gabinete, a orientação da segurança é não informar razões e locais de deslocamento”.

Por seu lado, a Folha de São Paulo, que havia levantado o assunto na edição de ontem, também procurou informações sobre os gastos de segurança com a presença do ministro em Londres e obteve mais sucesso.

Na edição de hoje, publica com destaque, reportagem com foto de arquivo de Toffoli, cujo texto é reproduzido abaixo, com a informação sobre os gastos de segurança que não foram informados a Lauro Jardim:

Diz a Folha:

“O STF (Supremo Tribunal Federal) pagou R$ 39 mil a um segurança do ministro Dias Toffoli em diárias internacionais por viagem à Inglaterra que incluiu a ida do magistrado à final da Champions League.

O segurança recebeu os valores para acompanhar Toffoli entre os dias 25 de maio e 3 de junho. O Real Madrid conquistou o 15º título do torneio em partida realizada no dia 1º. O ministro participou remotamente da sessão de 29 de maio do Supremo.

O STF não quis confirmar a viagem do ministro e quais foram as agendas dele no exterior. O órgão afirmou que “nenhuma viagem reduz o ritmo de trabalho e os estudos por parte do ministro, que segue trabalhando em seus votos, em suas decisões e participando das sessões colegiadas”.

A corte já havia desembolsado R$ 99,6 mil de recursos públicos para um segurança acompanhar Toffoli em eventos realizados em Londres, no Reino Unido, e Madri, na Espanha, semanas antes, como revelou a Folha.

Continua o jornal:

As informações sobre a ida mais recente de Toffoli a Londres estão registradas em ordem bancária emitida no último dia 27 e localizada nos dados do Siafi (Sistema Integrado de Administração Financeira).

O ministro acompanhou a vitória de 2 a 0 do Real Madrid contra o Borussia Dortmund, no estádio Wembley, ao lado do empresário Alberto Leite. A informação foi revelada pelo jornal O Globo e confirmada pela Folha.

A assessoria de Leite disse que o empresário não quer se manifestar sobre a ida ao jogo. Afirmou ainda que não bancou despesas de Toffoli na Inglaterra.

Leite participou, em 2022, de evento que marcou o encontro do então presidente Jair Bolsonaro (PL) com o bilionário Elon Musk, dono do Space X e da rede social X (antigo Twitter) e crítico da atuação de Alexandre de Moraes no Supremo.

A FS Security, cujo dono é o empresário Alberto Leite, ainda foi uma das patrocinadoras do 1º Fórum Jurídico Brasil de Ideias, realizado em Londres, no fim de abril, que contou com a presença de Toffoli e de outras autoridades do Judiciário.

A assessoria do STF disse que a orientação do setor de segurança do órgão “é não informar razões e locais de deslocamento”.

“Ressalta-se que em nenhuma viagem o ministro recebeu passagens ou diárias do STF”, disse ainda o Supremo, sem confirmar se Toffoli esteve na Inglaterra e por qual motivo. A reportagem também questionou se o ministro participou de algum evento ou teve agenda privada, mas não obteve resposta.

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