Nesta quinta-feira (10), mais uma vez, ônibus foram sequestrados por criminosos e usados como barricadas durante operações policiais realizadas nos complexos do Chapadão e da Maré, ambos localizados na Zona Norte do Rio. De acordo com o RioÔnibus, sindicato que representa as empresas de transporte coletivo da cidade, com os casos mais recentes, chega a 49 o total de coletivos municipais sequestrados em 2025. Em comparação, no ano passado, até o fim de abril — com 20 dias a mais do que a data atual — haviam sido registrados 44 casos.
No entorno do Complexo do Chapadão, nas vias Avenida Chrisóstomo Pimentel de Oliveira e Rua Alcobaça, foram tomados por criminosos um ônibus da linha SR399 (Pavuna — Passeio, Rápido), dois da linha 669 (Pavuna — Méier), dois da 779 (Pavuna — Madureira) e um da 793 (Pavuna –Sulacap). Já nas imediações da Maré, um coletivo da linha 919 (Pavuna — Bonsucesso) foi atravessado na pista da Linha Amarela.
Esse tipo de ação, infelizmente, tornou-se frequente. Na prática, os passageiros são obrigados a adaptar-se a rotas alternativas quando ocorrem sequestros. O clima de insegurança gera bloqueios em vias e obriga empresas a modificar trajetos. Ao longo de todo o ano de 2024, 191 linhas de ônibus tiveram que mudar seus percursos por conta dessas barricadas. Em 2025, até o momento, esse número já chegou a 152.
O procedimento normalmente adotado pelos criminosos consiste em cercar o coletivo, render o motorista e ordenar que o veículo seja atravessado na via. Após a execução da ação, os bandidos fogem com a chave do ônibus. Segundo Paulo Valente, diretor de Comunicação do RioÔnibus, há rotas nas quais motoristas se recusam a trabalhar por medo constante. Em alguns casos, funcionários chegam até mesmo a pedir demissão, tentando escapar de trajetos onde os sequestros acontecem com frequência.
— Todo mundo acaba ficando atrasado, isso prejudica a economia como um todo e, principalmente, prejudica a imagem da cidade, afugenta muitos turistas, que poderiam vir para cá — observa Paulo Valente.
Ainda conforme o RioÔnibus, alguns pontos do Rio têm se destacado como críticos em 2025. Um deles é o Engenho Novo: no fim de março, 23 coletivos foram sequestrados em ruas do bairro durante confrontos entre policiais e traficantes do Morro do São João. Outro local com grande concentração de casos é a Pavuna, onde os sequestros de ônibus muitas vezes ocorrem durante manifestações. O sindicato também mantém atenção constante para as regiões de Campo Grande, Penha (especialmente nos arredores dos complexos do Alemão e da Penha), além das áreas da Muzema, Tijuquinha e da Avenida Brasil.
Entre janeiro e março deste ano, 40 ônibus foram sequestrados — número que representa um aumento de 33% em relação ao mesmo período de 2024, quando 30 coletivos sofreram esse tipo de ação.
Com informações de O GLOBO.





