Nova proposta de reforma da Previdência propõe idade mínima de 67 anos

Estudo apresentado a presidenciáveis prevê capitalização, mudanças no INSS e novas regras para BPC, MEI, militares, professores e policiais

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Uma nova proposta de reforma da Previdência, que será apresentada aos candidatos à Presidência da República, prevê uma mudança profunda nas regras de aposentadorias e benefícios do INSS. O principal ponto é a criação de uma idade mínima de 67 anos para homens e mulheres, nas áreas urbana e rural.

O projeto também propõe substituir gradualmente o atual modelo de repartição por um sistema misto, com parte das contribuições destinada à capitalização individual e outra a contas nocionais administradas pelo INSS. Segundo os autores, a medida busca conter o avanço dos gastos provocado pelo rápido envelhecimento da população brasileira, informa a Folha de S.Paulo.

Gasto poderia chegar a 17% do PIB

O estudo calcula que, sem novas mudanças, a despesa previdenciária poderá subir dos atuais 8% do PIB para 17% em 2100. Com a reformulação completa, o gasto seria estabilizado em cerca de 10% do PIB ao final do século.

A proposta foi coordenada pelo economista Paulo Tafner, com apoio do ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga. O grupo também preparou uma minuta de PEC para dar início à tramitação das mudanças no Congresso.

Idade de 67 anos e novo modelo

A idade mínima subiria gradualmente dos atuais 62 anos para mulheres e 65 para homens até chegar aos 67 anos para ambos. O aumento seria de seis meses por ano, com transição de dez anos na área urbana e de 24 anos na rural.

O texto prevê ainda um gatilho automático: a cada ano adicional na expectativa de vida dos brasileiros, a idade mínima aumentaria quatro meses. Para compensar a equiparação entre homens e mulheres, seria concedido às mães um bônus de 1,5 ano no tempo de contribuição por filho, limitado a cinco filhos.

Transição varia conforme a idade

As novas regras valeriam integralmente para quem tiver até 24 anos quando a reforma fosse promulgada. Trabalhadores com 50 anos ou mais permaneceriam no modelo atual, sujeitos apenas às mudanças paramétricas. Já a faixa de 25 a 49 anos entraria parcialmente no novo sistema.

A proposta prevê que metade das contribuições seja direcionada à capitalização, administrada por seguradoras cadastradas no INSS e por um fundo público. A outra metade permaneceria em um regime público de repartição, com contas nocionais para registro dos créditos dos trabalhadores.

Mudanças atingem MEI, BPC e militares

Para financiar a transição, o projeto propõe rever isenções, restringir o abono salarial do PIS/Pasep e elevar a contribuição do MEI de 5% para 11%. Também seria criado um fundo abastecido, entre outras fontes, por ativos da União e receitas de petróleo e gás.

Entre as demais mudanças estão a elevação da idade de aposentadoria de professores e policiais para 64 anos, idade mínima de 55 anos para militares das Forças Armadas e alterações no BPC. A proposta prevê ainda benefício para idosos abaixo do salário mínimo e redução da contribuição patronal ao INSS.

Quadro: principais propostas da nova reforma da Previdência

PropostaComo ficaria
Idade mínima67 anos para homens e mulheres
Sistema previdenciárioModelo misto: repartição e capitalização
Mulheres com filhosBônus de 1,5 ano por filho, até cinco
Tempo de contribuiçãoMínimo de 20 anos para todos
Professores e policiaisAposentadoria aos 64 anos
MilitaresIdade mínima de 55 anos e mudanças na pensão
MEIContribuição subiria de 5% para 11%
BPCBenefício do idoso poderia ficar abaixo do salário mínimo
EmpresasMenor contribuição ao INSS e seguros para acidentes de trabalho
PIS/PasepMaior restrição ao abono salarial
Servidores públicosRegras unificadas entre os regimes
Idade mínimaGatilho automático ligado à expectativa de vida

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