Milhões de pessoas em todo o mundo convivem com a apneia obstrutiva do sono, uma condição respiratória crônica que afeta a qualidade do sono e pode trazer sérios riscos à saúde. A enfermidade ocorre quando os músculos da garganta relaxam excessivamente durante o sono, obstruindo as vias aéreas e causando interrupções temporárias na respiração. Além de provocar roncos intensos e despertares repentinos, a apneia está associada ao aumento do risco de hipertensão, diabetes tipo 2, infarto e AVC.
Durante décadas, o tratamento padrão tem sido o uso do CPAP (pressão positiva contínua nas vias aéreas), aparelho que mantém o fluxo de ar constante por meio de uma máscara conectada ao rosto do paciente. Embora eficaz, o método é frequentemente abandonado por ser considerado incômodo, barulhento e desconfortável.
Agora, uma inovação no setor farmacêutico pode mudar esse cenário.
Comprimido noturno mostra eficácia em ensaio clínico
A empresa Apnimed, especializada em tratamentos para distúrbios do sono, anunciou resultados positivos de uma segunda fase de testes clínicos com um medicamento oral chamado AD109. A pílula, que deve ser tomada antes de dormir, mostrou redução significativa no número de episódios de apneia por hora nos participantes do estudo, em comparação com o grupo que recebeu placebo.
O medicamento combina duas substâncias já conhecidas — atomoxetina e aroxibutinina — que atuam diretamente no sistema nervoso central, ajudando a manter os músculos da garganta ativos durante o sono. “Os medicamentos essencialmente enganam os músculos, fazendo-os pensar que estão acordados”, explica Daniel Combs, professor da Universidade do Arizona.
Segundo a Apnimed, o estudo envolveu 660 adultos que não toleravam o uso do CPAP. Apenas uma pequena parcela dos participantes relatou efeitos colaterais leves, como boca seca e insônia — esta última levou apenas 3% a interromper o uso da medicação.
Cautela antes da aprovação final
A empresa afirma que pretende apresentar os dados completos — incluindo informações sobre a eficácia na redução do ronco — em outubro de 2025, com a expectativa de solicitar aprovação da FDA (agência reguladora dos EUA) no início de 2026. No entanto, como alertou o diretor executivo da Apnimed, Larry Miller, ainda não é possível prever se ou quando o medicamento será liberado.
Especialistas consideram o tratamento promissor. A médica Phyllis Zee, da Northwestern Medicine, que não participou da pesquisa, acredita que o medicamento pode “transformar a vida de muitas pessoas”, especialmente daquelas que não se adaptam a máscaras ou preferem evitar intervenções mais invasivas.
Ainda assim, os especialistas lembram que o CPAP continua sendo o tratamento mais eficaz quando utilizado corretamente. “Quanto mais opções de tratamento, melhor”, diz Zee. E como lembra Combs, tratar a apneia do sono pode ter impacto até no desempenho esportivo: um pequeno estudo de 2013 mostrou que golfistas que usavam CPAP jogavam melhor, indicando um efeito direto da qualidade do sono na performance e bem-estar geral.






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