Nova Iguaçu terá novos reservatórios para conter enchentes e armazenar 346 milhões de litros de chuva

Projeto prevê quatro novos piscinões e a revitalização de um reservatório existente; intervenções devem beneficiar mais de 100 mil moradores

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Nova Iguaçu deu mais um passo para tirar do papel um dos maiores projetos de combate a alagamentos do estado do Rio. Na última semana, o prefeito Dudu Reina (PP) recebeu do presidente da Light, Alexandre Nogueira Ferreira, sinalização positiva para a cessão dos terrenos necessários à construção de quatro novos reservatórios de águas pluviais e à revitalização de um quinto já existente.

Somadas, as cinco estruturas terão capacidade para armazenar 346,09 milhões de litros de água — volume equivalente a cerca de 92 piscinas olímpicas de três metros de profundidade, e 19 vezes maior que o do reservatório da Praça da Bandeira, no Rio de Janeiro. O sistema terá influência sobre uma área estimada em 4,7 milhões de metros quadrados e deve beneficiar mais de 100 mil moradores.

A Light deve enviar à prefeitura, na próxima semana, a minuta do termo de cessão dos terrenos. O documento será analisado pela Procuradoria-Geral do Município e, depois de aprovado e assinado, passará a integrar a documentação do projeto. O município conta com R$ 49 milhões do Novo PAC para as intervenções.

Com a documentação regularizada, a prefeitura deverá encaminhar o projeto ao Ministério das Cidades e à Caixa Econômica Federal, responsáveis pela análise e liberação dos recursos. Só depois dessa etapa o município poderá abrir licitação para escolher a empresa responsável pela construção e revitalização dos reservatórios.

A intervenção não se limita à construção dos piscinões. O projeto também prevê obras de microdrenagem para captar e conduzir a água que desce da Serra de Madureira até os reservatórios, reduzindo a pressão sobre ruas, canais e sistemas de drenagem durante temporais.

A primeira etapa contempla o Bairro da Luz, na região próxima ao Fórum, com uma rede que vai levar a água até o reservatório do Canal do Moquetá, também no mesmo bairro. O sistema funcionará de forma integrada: as novas redes farão a captação e condução das águas pluviais, enquanto os reservatórios armazenarão temporariamente esse volume nos momentos de maior intensidade das chuvas.

Segundo a prefeitura, as negociações com a Light para obter os terrenos começaram em 2023, ainda antes da confirmação dos recursos federais para a obra.

“Estamos dando um passo decisivo para enfrentar um problema histórico de Nova Iguaçu. A proposta é ampliar a captação da água que desce da Serra de Madureira e criar caminhos para conduzir esse volume de forma controlada até os reservatórios, evitando que chegue com tanta força às áreas mais baixas da cidade. É uma obra pensada como um sistema, para atacar o problema na origem e dar mais segurança à população quando vierem as chuvas fortes”, afirmou o prefeito.

Onde ficarão os cinco reservatórios

Os cinco piscinões ficarão localizados em Firjan 1 – Dom Rodrigo, Firjan 2 – Dom Rodrigo, Jardim Pernambuco, Bairro da Luz e Jardim Alvorada. O maior deles terá capacidade para 106,5 milhões de litros.

Ao menos 11 bairros estão na área de influência do projeto: Bairro da Luz, Chacrinha, Santa Eugênia, Ouro Verde, Jardim Alvorada, Jardim Canaã, Jardim Pernambuco, Nova Era, Centro, Vila Bandeirantes e Moquetá.

Projeto se soma às obras no Rio Botas

Os novos reservatórios integram um conjunto mais amplo de medidas adotadas pelo município para reduzir os alagamentos. Desde 2021, o Rio Botas passa por obras de canalização em um trecho de 1,4 quilômetro, entre a Rua dos Quartéis e a Avenida Bernardino de Melo. A calha foi ampliada de 7 para 14,5 metros, e a profundidade passou de 1,5 para 4 metros.

As intervenções exigiram a remoção de quase 400 construções irregulares às margens do rio — 335 famílias foram reassentadas, e outras 61 receberam indenizações, segundo a Prefeitura.

A eficiência plena da canalização do Botas, porém, depende de intervenções previstas no Projeto Iguaçu, orçado atualmente em quase R$ 1 bilhão e que envolve União e Estado. O plano prevê barragens e reservatórios ao longo da bacia do rio, entre Duque de Caxias, Belford Roxo e Nova Iguaçu, com previsão de beneficiar cerca de três milhões de pessoas em seis municípios da Baixada Fluminense.

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