O deputado federal Tarcísio Motta (PSOL-RJ) afirmou nesta segunda-feira (27) que o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em 2018, visou intimidar o PSOL. Segundo ele, a atuação do partido era um obstáculo para a expansão das milícias no Rio de Janeiro. Em delação à Polícia Federal, Ronnie Lessa revelou que o plano de espionagem não se limitava a Marielle, mas incluía outros políticos do PSOL, como Marcelo Freixo, Tarcísio Motta, Chico Alencar e Renato Cinco.
“Essa informação já circulava antes. Sabíamos das pesquisas que ele fez na internet sobre o PSOL e que nossa atuação incomodava as milícias. Eles fizeram isso para nos intimidar, mas não podíamos nos calar. Marielle era minha querida companheira, e dói falar dela, mas isso nos dá força para derrotar esse mal que assola o Rio”, declarou Tarcísio Motta.
Na delação, Lessa admitiu que aceitou participar do plano de assassinato proposto pelos irmãos Brazão, que segundo ele, foram os mandantes do crime. Em troca, Lessa ganharia dois loteamentos em Jacarepaguá, com um lucro estimado em R$ 100 milhões.
“Não sei quais territórios seriam esses, mas a milícia avança sobre áreas de proteção ambiental, algo que o PSOL repreende. Defendemos que não haja grilagem e lutamos por isso. Renato Cinco, por exemplo, atua bastante nessa questão. Queriam nos amedrontar porque éramos um obstáculo”, destacou Tarcísio.
Infiltrados no partido
Lessa afirmou que os irmãos Brazão infiltraram Laerte Silva de Lima e sua mulher, Erileide Barbosa da Rocha, no PSOL. O casal era um “braço armado” da milícia de Rio das Pedras, na Zona Oeste do Rio.
“Domingos [Brazão] não tem papas na língua. Ele colocou um espião no PSOL, no partido da Marielle. Esse espião era Laerte, uma pessoa do Rio das Pedras, um miliciano responsável por várias atividades lá, que trazia informações para os irmãos sobre o PSOL”, revelou Lessa.
A filiação de Laerte e Erileide ocorreu em abril de 2017, quando Lessa começou a buscar informações na internet sobre Marcelo Freixo, na época uma das figuras mais atuantes do PSOL. Em 2019, Lessa admitiu ao Ministério Público do Rio (MPRJ) ter pesquisado sobre o então deputado federal.
O PSOL declarou que o casal foi expulso do partido em dezembro de 2020. “Sua real atuação era conhecida desde meados de 2019, mas não foram tomadas iniciativas devido à investigação em curso. Os fatos mostram que as milícias não possuem limites e muitas vezes contam com o apoio de agentes do Estado”, disse o partido em nota.
Com informações de O Globo
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