Laudo aponta lesões pulmonares graves em professora morta após nadar em academia em SP

Segundo TV, perícia indica possível exposição a gás tóxico gerado por uso inadequado de produtos químicos; caso é investigado como homicídio com dolo eventual

A morte da professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, após nadar em uma academia em São Paulo, ganhou novos contornos com a divulgação de laudos periciais que apontam lesões graves, sobretudo nos pulmões. As informações foram reveladas pela TV Globo, com base em documentos do Instituto de Criminalística e do Instituto Médico Legal (IML).

De acordo com os exames, além dos danos pulmonares, a vítima também apresentava lesões na cabeça, no fígado e nos rins. A principal linha de investigação indica que a morte pode ter sido causada pela inalação de um gás tóxico formado na água da piscina após manipulação inadequada de produtos químicos.

Hipóteses para formação de gás tóxico

Especialistas apontam duas possíveis causas para o ambiente tóxico na piscina, ambas relacionadas ao uso incorreto de substâncias químicas. A suspeita central envolve a liberação de gases altamente nocivos à saúde.

Segundo o médico perito Jairo Iavelberg, a inalação desse tipo de gás pode provocar a destruição rápida das células pulmonares. “Mesmo com intubação ou respiração artificial, não há troca gasosa suficiente”, explicou em entrevista à TV Globo.

Polícia aponta uso irregular de cloro

A Polícia Civil sustenta que o uso excessivo e inadequado de cloro foi determinante para a morte da professora. O delegado Alexandre Bento classificou o episódio como uma “tragédia anunciada”, destacando falhas graves nos procedimentos de segurança da academia.

Outras pessoas que estavam no local também passaram mal no dia do incidente, reforçando a hipótese de contaminação do ambiente aquático.

Sócios são indiciados por homicídio

Os sócios da academia, Cesar Bertolo Cruz, Celso Bertolo Cruz e Cezar Miquelof, foram indiciados por homicídio com dolo eventual — quando se assume o risco de causar a morte, ainda que sem intenção direta.

As investigações revelaram que a limpeza química da piscina era realizada por um funcionário sem qualificação técnica. O manobrista Severino José da Silva afirmou à polícia que preparava as misturas na borda da piscina seguindo instruções enviadas pelos proprietários por mensagens de celular.

Irregularidades estruturais agravam o caso

Além da manipulação inadequada de produtos químicos, a academia apresentava uma série de irregularidades. O estabelecimento funcionava sem alvará e possuía falhas estruturais consideradas graves.

Entre os problemas identificados estão o armazenamento inadequado de produtos químicos e uma ligação elétrica irregular da piscina, conectada diretamente à cozinha do local.

Defesa contesta conclusões preliminares

Em nota, a defesa da academia C4 Gym afirmou que ainda não teve acesso ao laudo de necropsia do IML. Os representantes sustentam que uma análise preliminar da água não teria identificado elementos que comprovem a presença de substâncias tóxicas em níveis letais.

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