Nomes curiosos viram atração à parte na disputa eleitoral do Rio

De Alcione Marrom a Tadala, passando por Leonardo da Vinci, Chapolin e Martelo de Thor, candidatos apostam em apelidos, referências populares e padrinhos políticos para chamar a atenção dos eleitores

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A corrida eleitoral no Rio de Janeiro tem uma disputa paralela pela atenção do eleitor. Em meio a mais de mil candidatos à Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e outros 782 nomes na corrida por vagas na Câmara dos Deputados, apelidos inusitados, referências a celebridades, super-heróis e até a medicamentos aparecem entre os nomes escolhidos para as urnas.

A lista reúne de Alcione Marrom a Leonardo da Vinci, passando por Tadala, Selminha Sorriso, Chapolin, Martelo de Thor, Zorro e Hulk. Há ainda candidatos que incorporaram ao nome eleitoral referências a figuras políticas e religiosas conhecidas.

De Alcione Marrom a Leonardo da Vinci

Entre os nomes que chamam atenção está Alcione Marrom Amancio, candidata a deputada federal pelo Republicanos. Alcione é seu nome de batismo: seus pais são fãs da cantora maranhense. O complemento “Marrom” surgiu ainda no período em que a guarda municipal praticava handebol.

O complemento “Marrom” surgiu ainda no período em que a guarda municipal praticava handebol / Reprodução

Outra Alcione aparece na disputa pela Câmara: Bispa Alcione, do PDT. Já Natasha Loba concorre pelo Solidariedade.

Na eleição para a Alerj, o Mobiliza apresenta Leonardo da Vinci. Apesar da coincidência com o nome de um dos artistas mais famosos da história, esse é o nome de batismo do candidato. Nas duas eleições anteriores das quais participou, porém, ele preferiu aparecer nas urnas como Léo do Ferro Velho.

O PSB, por sua vez, tem uma Selminha Sorriso na disputa pela Câmara dos Deputados. Não se trata da conhecida porta-bandeira da Beija-Flor. A candidata já explicou anteriormente como surgiu o apelido:

Tadala, batatas e super-heróis

Um dos nomes mais peculiares da eleição é Tadala, escolhido pelo empresário Ary Cezar Milesi Junior, candidato a deputado estadual pelo Agir. O apelido faz referência à tadalafila e, segundo o candidato, nasceu de uma brincadeira entre integrantes de um motoclube depois que ele revelou fazer uso do medicamento.

Um dos nomes mais peculiares da eleição é Tadala, escolhido pelo empresário Ary Cezar Milesi Junior / Reprodução

A lista de nomes marcantes inclui ainda Baiano Audácia Pura (Democrata), Bonito Reis (PRD), Cesinha com Todo Gás (PSB), Eugenio Gratidão (Mobiliza) e Cautela (Avante), candidatos à Alerj. Ademir Máximo Respeito (PSB) tenta uma cadeira na Câmara dos Deputados.

As referências gastronômicas também chegaram às urnas. Batata Neles (PRD) e Batatinha (PSB) disputam vagas na Assembleia, enquanto Batata da Madsen (PL) e Dr. Luciano Batatinha (PDT) concorrem à Câmara.

No universo dos personagens populares, JC Augusto Chapolin (Podemos), Martelo de Thor (PV) e Léo Taí o Zorro de Caxias (Agir) buscam vagas na Alerj. Para deputado federal, o DC apresenta MC Hulk da Selva.

No universo dos personagens populares, JC Augusto Chapolin (Podemos) tenta uma vaga como deputado federal / Reprodução

Bolsonaro, Lula e líderes religiosos também inspiram nomes

A política nacional também aparece diretamente nos nomes de urna. Além de Rogeria Bolsonaro, o PL tem Jean Bolsonaro, Negona do Bolsonaro e Renato Araújo do Bolsonaro como candidatos a deputado federal. Já Panayotis do Lula disputa uma cadeira na Alerj pelo PT.

Há estratégia semelhante com lideranças religiosas. Alexandre Isquierdo acrescentou Malafaia ao nome eleitoral e concorre à Alerj pelo PL, numa referência ao pastor Silas Malafaia, embora não exista parentesco entre eles.

Os filhos do pastor RR Soares também mantêm a referência ao pai: Filipe RR Soares concorre à Alerj e Marcos RR Soares disputa uma cadeira na Câmara, ambos pelo PSDB. Em direção oposta está Emerson Cruz de Oliveira, candidato a deputado federal pelo Agir, que desde 2018 adota um nome eleitoral deliberadamente anônimo: Zé Ninguém.

Em uma eleição com milhares de candidatos disputando a atenção do eleitor, os nomes de urna acabam funcionando também como instrumentos de identificação e memorização. Entre referências culturais, apelidos pessoais e associações políticas, a criatividade tornou-se mais um elemento da corrida pelo voto no Rio.

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