O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu neste domingo (19) o avanço do acordo entre Mercosul e União Europeia e rebateu críticas à sustentabilidade da agricultura brasileira durante a abertura da Feira Industrial de Hannover, na Alemanha.
Em seu discurso, Lula destacou o potencial econômico da parceria entre os blocos e criticou políticas europeias que, segundo ele, impõem restrições a produtos brasileiros, especialmente no setor de biocombustíveis, informa Brasil 247.
Acordo amplia mercado e oportunidades
Durante participação na Hannover Messe — considerada a maior feira industrial do mundo e que tem o Brasil como país de destaque nesta edição —, o presidente enfatizou a dimensão do acordo comercial, cuja entrada em vigor parcial está prevista para 1º de maio.
Segundo Lula, a parceria criará um mercado integrado de cerca de 720 milhões de pessoas, com um Produto Interno Bruto (PIB) estimado em US$ 22 trilhões. “Mais comércio e mais investimentos significam novos empregos e oportunidades”, afirmou. Ele também ressaltou que a integração produtiva entre os blocos pode fortalecer cadeias de suprimentos e abrir espaço para novas complementaridades econômicas.
O presidente acrescentou que o Brasil tem potencial para contribuir com a redução dos custos energéticos europeus e com processos de descarbonização, destacando o papel estratégico do país no cenário global.
Críticas a barreiras e defesa do biocombustível
Lula também criticou medidas adotadas pela União Europeia que, na sua avaliação, dificultam a entrada de biocombustíveis brasileiros no mercado europeu. Para ele, tais políticas ignoram a matriz energética do país e acabam sendo prejudiciais sob o ponto de vista ambiental.
“É essencial que o bloco leve em conta a matriz energética usada em nossos processos. Ainda combatemos afirmativas falsas a respeito da sustentabilidade de nossa agricultura”, declarou.
O presidente classificou como “contraproducente” a criação de barreiras ao biocombustível, argumentando que experiências históricas, como as crises do petróleo na década de 1970, demonstram os riscos da dependência de combustíveis fósseis.
Defesa de reformas no comércio global
Ao abordar o cenário internacional, Lula também criticou o funcionamento atual da Organização Mundial do Comércio (OMC). Segundo ele, a instituição precisa passar por reformulações para refletir melhor os interesses dos países do Sul Global.
“A incorporação efetiva dos interesses do Sul Global é condição essencial para que arranjos multilaterais sejam legítimos e relevantes”, afirmou.
Agenda internacional na Europa
Antes da abertura da feira, Lula se reuniu com o chanceler alemão Friedrich Merz. Após compromissos em Hannover, o presidente seguirá para Lisboa, dando continuidade à sua agenda europeia.
Ele também destacou que a participação brasileira na Hannover Messe reforça a imagem do país no cenário internacional. “O convite do Brasil para a feira consolida a posição do Brasil como parceiro confiável em um mundo de instabilidade e incerteza”, concluiu.






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