‘As condições que herdamos eram inaceitáveis’: Lula destaca avanço nas negociações que levaram à maior parceria comercial do mundo (veja vídeo)

Acordo fechado após 25 anos de negociações cria mercado comum de 178 milhões de pessoas e PIB conjunto de 22 trilhões de dólares

Ao celebrar o acordo entre Mercosul e União Europeia (UE), que formou a maior parceria comercial do mundo, o presidente Lula destacou o avanço das negociações que superaram antigas travas. Ele disse que herdou uma proposta de acordo que jamais poderia ser aceita pelo Brasil:

“As condições que herdamos eram inaceitáveis, foi preciso incorporar ao acordo temas de alta relevância para o Mercosul. Conseguimos preservar nossos interesses em compras governamentais, o que nos permitirá implementar políticas públicas em áreas como saúde, agricultura familiar e ciência e tecnologia”, afirmou.

Parceria cria mercado comum com 718 milhões de pessoas

O acordo selado nesta sexta-feira (6), após 25 anos de negociações, abrange mais de 718 milhões de pessoas e um PIB conjunto de US$ 22 trilhões. O presidente destacou que o texto final é “moderno e equilibrado”, atendendo às demandas do Mercosul e alinhado aos compromissos ambientais globais.

“[Um texto] que reconhece as credenciais ambientais do Mercosul e reforça nosso compromisso com os Acordos de Paris”, afirmou.

Lula enfatizou que o pacto preserva interesses essenciais dos países sul-americanos, como o direito de implementar políticas públicas em saúde, agricultura familiar e ciência e tecnologia.

Lula critica difamação sobre qualidade e segurança dos produtos brasileiros

O processo de negociação enfrentou resistência, principalmente da França, que expressava preocupação com a produção agrícola. Lula aproveitou para rebater críticas à carne brasileira: “Não aceitaremos que tentem difamar a reconhecida qualidade e segurança dos nossos produtos. O Mercosul é um exemplo de que é possível conciliar desenvolvimento econômico com responsabilidade ambiental”.

A parceria é vista pelo governo brasileiro como um avanço estratégico. A União Europeia é o segundo maior parceiro comercial do Brasil, com fluxo comercial de cerca de US$ 92 bilhões em 2023. Além disso, o bloco europeu detém quase metade do estoque de investimentos estrangeiros diretos no Brasil. O Planalto aposta que o acordo dinamizará o parque industrial brasileiro e fortalecerá instituições regionais.

Lula foi peça-chave nas negociações, realizando encontros bilaterais com líderes europeus, incluindo Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, e o presidente francês Emmanuel Macron. A assinatura do acordo simboliza, segundo o Planalto, uma nova era de inserção internacional para o Mercosul, ampliando o acesso preferencial a mercados globais e intensificando fluxos de investimentos.

Com informações do UOL

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