O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou nesta quinta-feira (7) sua insatisfação com o andamento das negociações para um acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE). Em sua participação na reunião de cúpula do bloco sul-americano, no Rio, ele afirmou que o formato atual do tratado de livre comércio é “insuficiente” e que a Europa tem muitas “resistências” para entender as necessidades de desenvolvimento e industrialização dos países do Mercosul.
– O texto (do acordo com a UE) que temos agora é mais equilibrado do que estava no governo anterior. Mesmo assim, é insuficiente. As resistências da Europa são muito grandes. Falta flexibilidade deles para entender que temos coisa para desenvolver, precisamos nos industrializar – afirmou Lula.
Lula disse que o governo anterior, de Jair Bolsonaro, deixou uma versão “inaceitável” do acordo, que tratava os países do Mercosul como “seres inferiores”.
– Herdamos uma versão desse acordo do governo passado, que era inaceitável, que nos tratava como se fôssemos seres inferiores (…) Eram inaceitáveis as palavras daquela carta adicional (do acordo com a UE). Depois, mudaram, mas não mudaram nada da questão industrial.
Lula também apontou as compras governamentais como um ponto sensível das negociações.
As tratativas do acordo entre Mercosul e União Europeia começaram em 1999 e já tiveram alguns avanços, mas ainda não foram concluídas por conta de divergências em temas como tarifas, cotas, normas técnicas e ambientais.
Segundo Lula, já se conhecia “um pouco da posição da Argentina”, numa referência à transição política no país vizinho, e a posição da França, contra o acordo, é “pública”. Ainda assim, o presidente ressaltou que o presidente francês, Emmanuel Macron, “fez questão de dar entrevista” sobre o assunto.
Na COP 28, em Dubai, Macron se disse contra o acordo, alegando que ele não leva em conta a biodiversidade e as mudanças climáticas.
Lula disse no discurso de abertura da Cúpula do Mercosul que o chanceler da Alemanha, Olaf Scholz, com quem o presidente brasileiro se encontrou, em visita oficial, na volta da COP 28, teria ficado de “conversar com Macron para ver se conseguia flexibilizar o coração do francês”. Conforme o presidente, o líder a alemão não retornou para dizer se teve sucesso.
O presidente brasileiro também voltou a descartar preocupações dos europeus em relação a questões relacionadas à preservação do meio ambiente. Ele destacou a qualidade dos “sistemas de monitoramento” do Brasil e disse que “tratamos a questão ambiental com muita seriedade”. Reafirmou ainda o “compromisso público” de chegar ao “desmatamento zero” até 2030.
Com informações de O Globo





