O sambista Arlindo Cruz, um dos maiores nomes da história do gênero, morreu nesta sexta-feira (8), aos 66 anos, no Rio de Janeiro, em decorrência de complicações de um AVC sofrido em 2017. Ao longo de mais de quatro décadas de carreira, o artista deixou um legado de mais de 500 composições interpretadas por ele e outros grandes nomes da música brasileira, com sucessos que atravessaram gerações e se tornaram parte do repertório de rodas de samba em todo o país.
Arlindo ganhou destaque nos anos 1980 como integrante do grupo Fundo de Quintal, assinando clássicos como Seja Sambista Também, Castelo de Cera e O Show Tem Que Continuar. Por lá, o sucesso foi tão grande que ganhou disco de platina por “O Mapa da Mina” e influenciou futuros artistas, sobretudo do Cacique de Ramos, berço do grupo.
Fora do grupo, consolidou a carreira solo com sambas que se tornaram hinos populares, gravados por nomes como Beth Carvalho, Zeca Pagodinho, Maria Rita, Alcione e o Grupo Revelação. Entre seus maiores sucessos está “Meu Lugar”, parceria com Mauro Diniz, lançada em 2007 no álbum Sambista Perfeito. A canção virou uma ode a Madureira, bairro que o sambista imortalizou nos versos “Meu lugar é caminho de Ogum e Iansã / Lá tem samba até de manhã / Uma ginga em cada andar”. O samba foi regravado várias vezes, inclusive na voz de Beth Carvalho, em 2014.
Outro destaque é “Bagaço da Laranja”, feita em parceria com Zeca Pagodinho e lançada em 1985 no álbum Raça Brasileira. Foi interpretada por Jovelina Pérola Negra, Zeca e Pedrinho da Flor, além de ter ganhado versões de artistas como Alcione, Leci Brandão, Seu Jorge e Emicida.
Partido-alto
O partido-alto também foi marca registrada do compositor, como no irreverente “Camarão que Dorme a Onda Leva”, parceria com Zeca Pagodinho e Beto Sem Braço, lançada em 1983 e também cantada por Beth Carvalho e Zeca, e regravada por diversos intérpretes ao longo dos anos.
Arlindo também teve presença marcante na obra de Maria Rita, que gravou músicas do sambista. Entre os sucessos estão “Maltratar Não é Direito” e “Num Corpo Só”, ambas do álbum Samba Meu (2007). Outra parceria com a artista foi “Rumo ao Infinito”, lançada em Coração a Batucar (2014) e “Tá perdoado” (com Franco), que virou hit no repertório da cantora.
Ao lado de Sombrinha, seu parceiro mais frequente, Arlindo também assinou dezenas de composições, incluindo “Ainda é Tempo pra Ser Feliz”, lançada em 1998. Ele também cantou ao lado de Xande de Pilares e Mauro Macedo no “Samba de Arerê”.
Prêmios na estante
Com uma trajetória recheada de sucessos, o sambista recebeu dezenas de troféus, incluindo o Prêmio da Música Brasileira por quatro vezes, de 1994 a 2015, tendo sido eleito melhor cantor sambista em duas edições, além de ter sido indicado cinco vezes ao Grammy Latino. Participou de desfiles de escolas de samba e foi homenageado diversas vezes.
Fora dos holofotes dos shows, Arlindo também recebeu diferentes condecorações, como o título Cidadão Honorário do Município do Rio de Janeiro, pela Câmara dos Vereadores, há seis anos.






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