A multinacional filipina ICTSI (International Container Terminal Services Inc.), avaliada em US$ 15 bilhões na Bolsa de Valores, concluiu a aquisição total do antigo Estaleiro Inhaúma, localizado na zona portuária do Rio de Janeiro. A informação foi publicada pela coluna Capital, do jornal O Globo.
A operação marca um novo capítulo para o terreno de 32 hectares no bairro do Caju, que permaneceu abandonado desde 2016, quando o estaleiro foi desativado após ser atingido pelos desdobramentos da Operação Lava Jato. No auge da exploração do pré-sal, a unidade chegou a empregar cerca de 5 mil trabalhadores e tinha planos ambiciosos de contratos que somavam US$ 1,7 bilhão com a Petrobras, sua principal arrendatária à época.
A ICTSI, comandada pelo bilionário Enrique Razon Jr. — um dos homens mais ricos das Filipinas —, já detinha 47% das cotas do Fundo Imobiliário Inhaúma, dono do imóvel. Agora, comprou o restante das participações, que estavam nas mãos de Camila Appel, filha do fundador do Banco Fator, Walter Appel, e de João Antônio Lopes Filho, atual CEO da instituição financeira, que também gerencia o fundo. O valor da transação não foi divulgado, mas o patrimônio líquido do fundo gira em torno de R$ 822 milhões, valor correspondente apenas ao imóvel.
Desde novembro de 2024, quando adquiriu sua primeira participação no fundo, a ICTSI já vinha locando o imóvel. A área está situada a poucos quilômetros do terminal de contêineres que a companhia filipina administra no Porto do Rio desde 2019, sob regime de concessão.
Com a nova aquisição, os planos da empresa envolvem ampliar sua presença na região e reforçar a infraestrutura logística da capital fluminense. Uma das possibilidades em avaliação é a implantação de um Terminal de Uso Privativo (TUP), modelo que permite a operação portuária fora das áreas públicas do porto organizado. No entanto, segundo apurou a reportagem de O Globo, ainda não há uma decisão final sobre o futuro da área.
O movimento da ICTSI representa um novo fôlego para a zona portuária carioca, que nos últimos anos tem enfrentado altos e baixos tanto na atividade econômica quanto em iniciativas de revitalização urbana. Caso o projeto logístico se concretize, o antigo estaleiro pode voltar a ter protagonismo na economia do Rio, agora com uma nova vocação.





