Porto e estaleiro de R$ 850 milhões no Norte Fluminense terão obras retomadas

Empreendimento em Barra do Furado tem foco em reciclagem naval e apoio offshore; obras começam ainda em 2026

O projeto do Complexo Logístico Farol/Barra do Furado, localizado na divisa entre Quissamã e Campos dos Goytacazes, no litoral norte do Rio de Janeiro, será retomado após anos de paralisação. Com investimento estimado em R$ 850 milhões, o empreendimento prevê a construção de um terminal portuário e um estaleiro voltado ao desmantelamento e reciclagem de embarcações.

A expectativa é que as obras sejam iniciadas ainda em 2026, com lançamento da pedra fundamental programado para a próxima semana. O projeto será conduzido pela BR Offshore, empresa criada especificamente para viabilizar o complexo logístico.

O empreendimento, que começou a ser desenhado há cerca de 15 anos, havia sido anunciado inicialmente em 2011, com previsão de início das obras em 2012. No entanto, o avanço foi interrompido após a crise econômica entre 2014 e 2016 e os impactos da Operação Lava-Jato no setor de petróleo e gás.

Retomada com novo parceiro financeiro

A reativação do projeto ocorre com a entrada do Banco Fator como investidor. A instituição participará por meio da Fator Empreendimentos e Participações, com participação minoritária, além de liderar a estruturação financeira junto a um pool de bancos.

A estratégia prevê financiar grande parte dos R$ 850 milhões necessários, incluindo a possibilidade de emissão de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs). A meta é iniciar as operações do complexo entre 2027 e 2028.

Segundo a BR Offshore, o foco do projeto acompanha a demanda crescente por serviços ligados ao setor offshore, incluindo o suporte a futuras usinas eólicas em alto-mar e o descomissionamento de embarcações.

Mudança de foco: da manutenção à reciclagem naval

Uma das principais alterações no projeto original é a mudança no perfil do estaleiro. Inicialmente planejado para manutenção e reparo de embarcações de apoio offshore, o espaço será agora dedicado ao desmantelamento e reciclagem de navios e plataformas.

A área total do complexo será de aproximadamente 1 milhão de metros quadrados, localizada na entrada do Canal das Flechas, que conecta a Lagoa Feia ao oceano. Parte da infraestrutura iniciada anteriormente poderá ser reaproveitada, como um píer construído durante a fase inicial das obras.

O novo desenho do projeto elimina o estaleiro de manutenção e prioriza atividades ligadas à economia circular e à sustentabilidade industrial.

Mercado em expansão impulsiona projeto

A decisão de focar na reciclagem naval acompanha o crescimento global da demanda por desmantelamento de embarcações. A estimativa é que, até 2035, cerca de 3,7 mil navios precisem ser reciclados no mundo, o dobro do volume atual.

Esse movimento pode gerar investimentos de até US$ 9,9 bilhões no setor. Estudos indicam ainda que apenas o descomissionamento de plataformas offshore deve movimentar entre US$ 14,5 bilhões e US$ 16 bilhões até o fim da década.

O complexo deverá contar com um cais de até 900 metros de extensão, capaz de receber grandes embarcações, incluindo plataformas do tipo FPSO utilizadas na exploração de petróleo.

Impactos econômicos e desafios regulatórios

Além de impulsionar o setor portuário e naval, o projeto prevê a geração de cerca de 800 empregos diretos e até 3,2 mil indiretos quando estiver em operação.

Também estão previstas obras complementares, como a dragagem do Canal das Flechas, que pode beneficiar outras atividades econômicas da região, incluindo a pesca.

Apesar do avanço, o setor ainda depende da criação de um marco regulatório específico para a reciclagem de embarcações no Brasil. A regulamentação é considerada essencial para ampliar a competitividade dos estaleiros nacionais e atrair demandas internacionais.

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