Um grupo restrito de parlamentares concentrou uma fatia significativa das chamadas emendas de comissão ao Orçamento da União em 2025, evidenciando uma distribuição desigual de recursos dentro da Câmara dos Deputados. Levantamento aponta que sete deputados, incluindo o presidente da Casa, Hugo Motta, controlaram cerca de R$ 1,5 bilhão — o equivalente a 20% dos R$ 7,5 bilhões destinados por essas emendas. A informação é da Folha de São Paulo.
Enquanto isso, outros 423 deputados dividiram os R$ 6 bilhões restantes, e 83 parlamentares não registraram indicações formais desse tipo de recurso. As emendas de comissão são verbas sugeridas por colegiados temáticos do Congresso para investimentos em áreas como saúde, infraestrutura e desenvolvimento regional, cabendo ao Executivo decidir pela execução.
Entre os principais beneficiados está Julio Arcoverde, que liderou as indicações individuais, com mais de R$ 240 milhões destinados. Também aparecem nomes ligados a lideranças partidárias, como Marcos Pereira, além de representantes de partidos como PP, União Brasil, Republicanos e PL.
Concentração questionada
A concentração desses recursos levanta questionamentos internos sobre equidade e cumprimento de acordos políticos. Parlamentares ouvidos sob anonimato afirmam que havia um entendimento prévio para uma distribuição mais equilibrada, com valores próximos a R$ 10 milhões por deputado da base aliada. No entanto, alguns nomes estratégicos acabaram recebendo cifras muito superiores, ultrapassando R$ 100 milhões.
Outro ponto de atenção é a forma como parte dessas emendas vem sendo registrada. Em muitos casos, a autoria aparece vinculada à liderança partidária, e não a um deputado específico — prática que pode dificultar a transparência sobre quem realmente indicou os recursos, apesar de decisões do Supremo Tribunal Federal exigirem maior clareza nesse processo.
A discussão ocorre após mudanças recentes no modelo de distribuição de verbas parlamentares. As chamadas “emendas de relator”, conhecidas como orçamento secreto, foram consideradas inconstitucionais pelo STF, levando à reformulação do sistema.
Para a direção da Câmara, a divisão segue critérios acordados entre partidos e Poderes, priorizando áreas estratégicas.






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