Múcio vai debater com governo dos EUA classificação de CV e PCC como terroristas

Ministro da Defesa se encontrará com subsecretário de Guerra dos Estados Unidos durante conferência no Peru para discutir impactos da decisão estadunidense e reforçar a posição do Brasil sobre soberania nacional

O ministro da Defesa, José Múcio, terá uma agenda considerada estratégica nesta quarta-feira (7), durante sua participação na Conferência de Ministros da Defesa das Américas (CMDA), realizada no Peru. Além de participar das discussões do encontro internacional, o ministro se reunirá com Elbridge Colby, subsecretário de Guerra dos Estados Unidos, em uma conversa que deve abordar um dos temas mais sensíveis da relação entre os dois países nos últimos dias: a decisão do governo estadunidense de classificar organizações criminosas brasileiras como entidades terroristas.

Segundo interlocutores do governo, o encontro foi solicitado pelo Brasil e tem como principal objetivo obter esclarecimentos sobre os desdobramentos da medida adotada por Washington em relação ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV).

A iniciativa ocorre em meio à preocupação do Palácio do Planalto com os possíveis efeitos diplomáticos e jurídicos da classificação anunciada pelos Estados Unidos.

Lula definirá estratégia antes da viagem

Antes de embarcar para o Peru, José Múcio terá uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O encontro servirá para alinhar o posicionamento que será levado pelo ministro ao representante do governo norte-americano.

De acordo com pessoas próximas às negociações, Lula pretende definir a linha de argumentação que será adotada pelo ministro durante a conversa com Elbridge Colby, reforçando a necessidade de preservar o diálogo entre os dois países diante do novo cenário.

A expectativa é de que o governo brasileiro apresente sua preocupação com os possíveis desdobramentos da decisão americana e procure compreender quais são os objetivos de Washington após a classificação das facções criminosas.

Preocupação com eventual atuação dos EUA

Um dos principais pontos que deverão ser abordados pelo presidente na reunião preparatória é a necessidade de esclarecer se a iniciativa dos Estados Unidos se limitará ao enquadramento jurídico das organizações criminosas ou se poderá resultar em outras medidas.

Segundo integrantes do governo, Lula quer entender se, para além da tipificação de organizações terroristas, os Estados Unidos têm alguma intenção de atuar no Brasil.

O tema ganhou relevância diante das discussões sobre o alcance das normas norte-americanas relacionadas ao combate ao terrorismo e às organizações criminosas transnacionais.

Soberania será um dos principais argumentos

A orientação do presidente ao ministro da Defesa deverá enfatizar a defesa da soberania brasileira durante a reunião com o representante do governo dos Estados Unidos.

Além de reforçar que o combate ao crime organizado é uma atribuição das autoridades nacionais, Lula pretende destacar os esforços realizados pelo Brasil nos últimos anos para enfrentar facções criminosas, por meio da atuação integrada das forças de segurança e dos órgãos de inteligência.

A expectativa do governo é que o encontro contribua para esclarecer a posição dos EUA e mantenha aberto o canal de diálogo entre Brasília e Washington sobre temas ligados à segurança pública e à cooperação internacional no combate ao crime organizado.

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