MPRJ já ouviu mais de 200 PMs sobre Operação Contenção, a mais letal da história do Rio

Investigação concentra esforços em depoimentos de policiais e análise de 3,6 mil horas de imagens de câmeras corporais; sete agentes já foram denunciados

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) já ouviu mais de 200 policiais militares envolvidos na chamada Operação Contenção, considerada a ação policial mais letal da história do estado. A investigação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (GAESP/MPRJ), que intensificou as oitivas após receber da própria Polícia Militar uma lista com 218 agentes apontados como participantes de confrontos armados durante a operação.

Segundo o MPRJ, a expectativa é concluir ainda neste mês a coleta dos depoimentos dos policiais militares envolvidos diretamente na ação. A etapa é considerada essencial para esclarecer as circunstâncias das mortes registradas durante a operação e verificar eventuais excessos cometidos pelos agentes.

Análise de câmeras corporais vira foco da investigação

Paralelamente aos depoimentos, os promotores enfrentam outro grande desafio: a análise de mais de 3.600 horas de gravações produzidas pelas câmeras operacionais portáteis (COPs) usadas pelos policiais durante a operação.

Diante do enorme volume de material, o Gaesp definiu uma estratégia de prioridade para acelerar a apuração. A primeira etapa da análise está concentrada nas imagens registradas por agentes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), unidade que atuou principalmente em áreas de mata da região onde ocorreu a maior parte das mortes.

Até o momento, os investigadores já analisaram os arquivos captados por equipamentos utilizados por 51 policiais do Bope. Os dados preliminares apontam situações consideradas preocupantes pelos promotores.

MPRJ identifica retirada e possível obstrução de câmeras

De acordo com o levantamento parcial do Ministério Público, em 17% dos casos examinados os policiais retiraram as câmeras corporais durante a operação. Em outros 7,8% das gravações analisadas, há indícios de obstrução proposital das imagens, o que pode comprometer a transparência da atuação policial.

Apesar disso, o MPRJ informou que a maioria dos registros analisados até agora — cerca de 82% — demonstra uso adequado dos equipamentos pelos agentes envolvidos na ação.

Os investigadores avaliam que o cruzamento entre os depoimentos dos policiais e as imagens das câmeras corporais será determinante para esclarecer a dinâmica dos confrontos e identificar possíveis irregularidades.

Sete policiais já foram denunciados

Além da investigação principal, o Ministério Público também conduziu apurações paralelas relacionadas à Operação Contenção. Essas investigações já resultaram em sete denúncias apresentadas contra policiais militares por fatos ligados à ação.

O conteúdo das denúncias e os crimes imputados aos agentes não foram detalhados até o momento. O MPRJ, porém, reforça que as investigações seguem em andamento e que novas medidas podem ser adotadas conforme o avanço da análise das provas e dos depoimentos.

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