O aumento dos casos de mpox no Rio de Janeiro mobiliza médicos e reforça o alerta para reconhecer os sintomas e procurar atendimento. O estado acumulava 211 confirmações até terça-feira (27), superando os 119 registros de todo o ano de 2025.
A aceleração se concentra em setembro e outubro, com 45 diagnósticos em cada mês. Os 90 casos representam crescimento de 800% sobre os dez registrados no mesmo período do ano anterior. Outros 117 permaneciam em investigação.
Na capital, o Observatório Epidemiológico contabilizava 167 confirmações até quinta-feira (29), contra 94 em todo o ano passado. Havia ainda 81 casos suspeitos.
Médicos reforçam alerta para diagnóstico
O deputado federal Daniel Soranz, ex-secretário municipal de Saúde, afirmou em vídeo publicado na quinta-feira que dez pacientes estavam internados com a doença no Rio.
Soranz destacou a importância da identificação precoce e explicou que o diagnóstico pode ser feito pela coleta de material das lesões, encaminhado para análise laboratorial. Ele também cobrou do Ministério da Saúde uma ampliação da cobertura vacinal.
A infectologista Marcia Rachid chamou atenção para o risco de complicações em pessoas com HIV que apresentam imunidade muito baixa.
A mpox pode provocar lesões na pele, febre, dores no corpo e aumento dos gânglios, conhecido como íngua. Pessoas com imunossupressão podem desenvolver quadros mais graves, assim como crianças e gestantes.
Paciente relata dificuldade para comer
O ator Ari Areia, de 35 anos, contou que começou a apresentar sintomas em 30 de setembro. Antes do diagnóstico, procurou diferentes serviços de saúde, mas, segundo seu relato, a possibilidade de mpox não foi identificada.
Após ver uma publicação de Marcia Rachid, entrou em contato com a médica e procurou a Fiocruz, onde recebeu a confirmação.
O ator relatou febre, dores no corpo, mal-estar e uma inflamação na garganta que dificultava a alimentação e a ingestão de água. Precisou ser internado para receber cuidados.
A experiência reforça o alerta dos especialistas para avaliar lesões suspeitas, inclusive quando são poucas ou se parecem com espinhas.
Como reduzir o risco de transmissão
A transmissão ocorre principalmente pelo contato próximo com uma pessoa infectada, incluindo contato com lesões e durante relações sexuais. Objetos contaminados, como toalhas e roupas de cama, também podem transmitir o vírus.
Para reduzir o risco, as orientações incluem:
- Evitar contato direto com lesões de pessoas com suspeita ou confirmação;
- Não compartilhar roupas, toalhas e objetos pessoais;
- Procurar atendimento ao identificar sintomas;
- Seguir as orientações de isolamento até a cicatrização completa das lesões.
Preservativos podem reduzir a exposição, mas não oferecem proteção completa, pois deixam áreas da pele descobertas.
Subtipo é citado por pesquisador
O infectologista Rafael Galliez, da UFRJ, afirmou à reportagem que estudos de sequenciamento indicam circulação do clado 1b no estado. Ele ressaltou, porém, que ainda não é possível atribuir o aumento dos casos a esse subtipo.
As secretarias municipal e estadual de Saúde informaram que monitoram a situação e promovem medidas preventivas. Segundo as pastas, o cenário apresentado ainda não era classificado como surto ou epidemia.
A mpox (anteriormente conhecida como varíola dos macacos) é uma doença infecciosa causada pelo vírus mpox, pertencente à mesma família do vírus da varíola humana. Ela provoca erupções na pele e sintomas semelhantes aos de uma gripe forte.
Principais Sintomas
Os sinais costumam aparecer de 5 a 21 dias após o contato com o vírus e incluem:
- Lesões na pele: Bolhas ou feridas que coçam e doem, evoluindo para crostas, que podem surgir no rosto, tronco, mãos, pés, boca ou região genital.
- Febre e calafrios.
- Ínguas inchadas (linfonodos aumentados) no pescoço, axilas ou virilha.
- Dor de cabeça, dores musculares e fraqueza intensa.
Formas de Transmissão
O vírus é transmitido principalmente através do contato próximo e direto com uma pessoa infectada. Isso inclui:
- Contato com as feridas, bolhas ou fluidos corporais.
- Toque em superfícies, roupas ou roupas de cama contaminadas.
- Gotículas respiratórias durante conversas longas ou contato íntimo/sexual.
Prevenção e Tratamento
Na maioria dos casos, a doença é leve e desaparece sozinha em poucas semanas. O tratamento é voltado para aliviar as dores, a febre e cuidar das lesões na pele para evitar infecções secundárias. Casos graves podem exigir o uso de antivirais. A vacinação e o isolamento de pessoas infectadas são as principais formas de conter a disseminação da doença.







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