MP pede prisão de vereador acusado de ligação com o TCP em São João de Meriti

Ernane Aleixo participou de encontro com políticos e empresários mesmo afastado das funções; parlamentar recebeu cerca de R$ 144 mil nos últimos oito meses

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O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) pediu novamente a prisão preventiva do vereador Ernane Aleixo (PL), de São João de Meriti, investigado por suposta colaboração com a facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP). Desta vez, o órgão afirma que o parlamentar descumpriu medidas cautelares impostas pela Justiça.

O motivo foi a participação de Ernane em um encontro com políticos e empresários do município na semana passada. O vereador está afastado das funções desde janeiro, quando deixou a prisão e passou a responder ao processo em liberdade.

Para o MP, a presença no encontro pode representar uma retomada da atividade política, contrariando as restrições determinadas pela Justiça.

“A presença do acusado em ambiente de articulação política revela indício relevante de retomada de atuação institucional, política ou representativa”, afirmou o Ministério Público no pedido.

Preso em operação contra suposta ligação com o TCP

Ernane foi preso em novembro de 2025 durante a Operação Muro de Favores, investigação sobre uma suposta relação entre agentes públicos e integrantes do TCP.

A apuração começou a partir da prisão de Marlon Henrique da Silva, conhecido como Pagodeiro. Segundo os investigadores, mensagens encontradas no celular dele apontaram possíveis contatos com o vereador.

Em uma das conversas citadas na investigação, aparece uma discussão sobre o empréstimo de máquinas para a construção de barricadas. Em outra mensagem atribuída a Ernane, o parlamentar teria afirmado que utilizar equipamentos da prefeitura poderia causar problemas, mas teria mencionado a possibilidade de disponibilizar um martelete.

A investigação também aponta suspeitas de que o vereador teria negociado indicações para empregos em troca de apoio político. Entre as vagas mencionadas nas mensagens estariam funções de técnica, enfermeira, maqueiro e recepcionista.

Segundo a polícia, Ernane teria oferecido suporte logístico e operacional ao grupo criminoso em troca de benefícios financeiros e políticos. As acusações ainda são discutidas judicialmente.

R$ 144 mil mesmo afastado

Depois de permanecer pouco mais de um mês preso, Ernane conseguiu liberdade em janeiro. A 8ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro determinou, porém, seu afastamento da função pública e das prerrogativas do cargo, preservando a remuneração.

Mesmo sem exercer as atividades parlamentares, o vereador continuou recebendo salário mensal de R$ 18 mil. Em oito meses, o valor chega a aproximadamente R$ 144 mil.

Como está impedido de participar das sessões legislativas, Ernane solicitou que suas ausências fossem abonadas pela Câmara Municipal.

O presidente da Casa, João Dantas de Mello, considerou que o parlamentar estava temporariamente impedido de exercer suas funções em razão de uma decisão judicial e aceitou o pedido. Dessa forma, as faltas foram abonadas e Ernane permaneceu com o mandato.

Encontro provoca novo pedido de prisão

O Ministério Público entende que o afastamento determinado pela Justiça não se limita à proibição de comparecer às sessões ou participar de votações na Câmara.

Na avaliação do órgão, a medida alcança o exercício da função pública e as prerrogativas relacionadas ao mandato. Por isso, a presença no encontro da semana passada foi utilizada como fundamento para o novo pedido de prisão preventiva.

A defesa apresenta uma interpretação diferente. Os advogados afirmam que Ernane foi convidado pelo prefeito de São João de Meriti para participar de um almoço com empresários.

Segundo a defesa, o encontro não teve finalidade política nem relação com as atribuições do parlamentar na Câmara Municipal e, portanto, não configuraria descumprimento das medidas cautelares.

Os advogados acrescentaram que Ernane continua à disposição da Justiça e compareceu normalmente a uma audiência realizada nesta quarta-feira (12), no Fórum de São João de Meriti.

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