O Ministério Público (MP) denunciou e pediu a prisão preventiva de Gizele Matos de Almeida Gonçalves, que foi presa na sexta-feira (3) por ocultação de cadáver da própria filha, em Itaboraí. O corpo da criança foi localizado em estado avançado de decomposição após vizinhos sentirem um cheiro forte vindo da residência. A pequena Cecilia Matos Gonçalves, de 6 anos, teria falecido por falta de água e comida.
Gizele foi denunciada por homicídio triplamente qualificado. De acordo com a denúncia ajuizada nesta quarta-feira (8), ela matou a própria filha Cecília por inanição, ao deixar a criança, durante dias seguidos, sem alimentação. Junto com a denúncia, o MP requereu a prisão preventiva da mulher.
A denúncia destaca que, no último dia 3 de janeiro, após relatos de moradores do edifício onde residiam mãe e filha, na Rua São Miguel, em Itaboraí, policiais entraram no apartamento de Gizele e encontraram o corpo de Cecilia em estado avançado de putrefação.
Segundo as investigações, a denunciada trancou a filha no local sem alimentá-la, sendo certo que os vizinhos não viam a criança desde o início das férias escolares e o apartamento permanecia constantemente trancado, o que levantou suspeitas sobre o comportamento de Gizele, em especial quando, no dia 26 de dezembro de 2024, moradores começaram a relatar um cheiro muito forte vindo do local.
Em depoimento prestado à Polícia Civil, Gizele confessou que matou a sua própria filha por inanição, deixando-a sem comida e água até que esta viesse a óbito, não sabendo ao certo quando a menina faleceu, mas que teria constatado que, no dia 24 de dezembro, a criança não estava mais viva, alegando, ainda, que “fez um bem à própria filha” para protegê-la.
A denúncia ainda relata que foi encontrado, no interior do apartamento, um caderno com a contagem regressiva do dia da morte da vítima, mostrando que o crime foi premeditado e realizado com requintes de crueldade, uma vez que a criança ficou sem alimento e água por dias, em estado de extrema fraqueza e esgotamento, sendo a inanição a manifestação mais grave da desnutrição.
“O crime foi praticado por motivo fútil, visto que a denunciada alegou que matou a filha porque está desempregada e com dificuldades financeiras. Foi cometido por meio cruel, eis que a vítima foi submetida a intenso sofrimento físico, sendo privada de alimento e água por vários dias. E foi cometido contra menor de 14 anos”, destaca um dos trechos da denúncia assinada pelo Promotor de Justiça Paulo Sally.
Com informações do MPRJ





