O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), decidiu não submeter ao plenário o pedido de perda de mandato do deputado bolsonarista Alexandre Ramagem (PL-RJ), condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento na trama golpista. A definição sobre o futuro do parlamentar caberá agora à Mesa Diretora da Casa, informa Igor Gadelha, no Metrópoles.
Segundo aliados de Motta, a avaliação do presidente da Câmara é de que a decisão da Mesa confere maior previsibilidade jurídica ao processo e evita um novo embate institucional com o Supremo Tribuna Federal (STF), como ocorreu no caso de Carla Zambelli.
Estratégia é baixar a temperatura
Além do episódio envolvendo Zambelli, pesou no ambiente político a recente operação da Polícia Federal contra uma ex-assessora do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL). Para aliados de Motta, a estratégia agora é “baixar a temperatura” e evitar que o plenário seja palco de um novo confronto político com o STF.
Com a decisão, a Mesa Diretora deverá deliberar, nos próximos dias, não apenas sobre a cassação de Ramagem, mas também sobre a situação do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que já teria atingido o número de faltas em sessões suficiente para a perda do mandato, conforme regras regimentais da Casa.
Ramagem fugiu para os Estados Unidos
Atualmente, Alexandre Ramagem está nos Estados Unidos. Condenado pela Justiça no âmbito das investigações sobre a tentativa de golpe de Estado, o parlamentar deixou o Brasil em setembro e se mudou de Miami para uma residência em Orlando, na Flórida, após a condenação.
A decisão de Hugo Motta surpreendeu integrantes do PL. O líder do partido na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), afirmou que não foi informado previamente sobre a mudança de procedimento. Segundo ele, houve conversa recente com o presidente da Câmara, mas o tema não foi mencionado.
Apesar da surpresa, o líder do PL afirmou não estranhar totalmente a postura do presidente da Câmara.






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