O presidente da Câmara, Hugo Motta, afirmou nesta terça-feira (9) que o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) desrespeitou o Poder Legislativo ao ocupar a cadeira da presidência por cerca de uma hora. Glauber foi retirado à força pela Polícia Legislativa após o ato.
Segundo Motta, a atitude repete condutas anteriores do deputado: “Quando o deputado Glauber Braga ocupa a cadeira da Presidência da Câmara para impedir o andamento dos trabalhos, ele desrespeita a própria Câmara e o Poder Legislativo. Inclusive de forma reincidente”, escreveu nas redes sociais, citando a greve de fome que o parlamentar manteve ao ocupar uma comissão no início do ano.
Imprensa retirada do plenário
O presidente também disse que determinou apuração sobre “possíveis excessos” da Polícia Legislativa, após jornalistas serem removidos da galeria durante o tumulto. O plenário acabou sendo restrito apenas a parlamentares por volta das 17h30.
Glauber afirma que há tentativa de silenciamento
Após ser retirado, Glauber declarou que a ação representa uma tentativa de silenciamento diante do processo de cassação que enfrenta por quebra de decoro. Ele relata ter tido o paletó rasgado durante a retirada.
“Pedi apenas que o presidente Hugo Motta tivesse 1% do tratamento comigo que teve com aqueles que sequestraram a Mesa Diretora por 48 horas. Se acham que isso vai me calar, estão enganados”, disse o parlamentar, que após a confusão seguiu para atendimento médico.
Tumulto interrompe transmissões da TV Câmara
A sessão teve o sinal cortado na TV Câmara e transmitida apenas parcialmente no YouTube. Assessores e imprensa foram obrigados a deixar o plenário durante a ação da Polícia Legislativa.
Apoio cauteloso dentro do PSOL
Correligionários acompanharam Glauber durante o ato, entre eles Sâmia Bomfim (PSOL-SP) e Tarcísio Motta (PSOL-RJ).
Chico Alencar (PSOL-RJ) evitou apoiar diretamente a atitude: “É muita indignação por parte de Glauber. A solução era tirar de pauta a cassação.”
Greve de fome e acordo com Motta
Em abril, Glauber fez uma greve de fome em protesto contra o processo de cassação. O gesto durou pouco mais de uma semana e foi encerrado após acordo com Motta, que garantiu que o caso não seria acelerado e que haveria prazo mínimo de 60 dias entre a deliberação da CCJ e eventual votação em plenário.
Motta promete votar cassações na próxima semana
Mais cedo, Motta anunciou que levará ao plenário, já na próxima semana, as votações das cassações de Glauber Braga, Carla Zambelli, Alexandre Ramagem e Eduardo Bolsonaro.
No caso de Glauber e Zambelli, os processos passarão primeiro pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Já Eduardo Bolsonaro pode perder o mandato por faltas em excesso, após se mudar para os Estados Unidos e ultrapassar o limite de ausências permitido.
Ramagem terá rito abreviado
O processo de Alexandre Ramagem — condenado pelo STF na ação sobre a trama golpista — será enviado diretamente ao plenário, sem passar pela CCJ. Motta afirmou que Ramagem terá cinco sessões para apresentar defesa e que a decisão final caberá ao conjunto dos deputados.
Clima de tensão deve crescer antes das votações
Com as cassações previstas para a próxima semana e o confronto desta terça-feira, a expectativa é de que o ambiente na Câmara siga tenso, especialmente entre aliados de Glauber e o comando da Casa.






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