‘Mostra privilégio que sempre teve’, diz Leniel Borel, pai de Henry, após celular ser achado na cela de Jairinho

Aparelho foi encontrado escondido entre livros durante vistoria da Seppen no Complexo de Gericinó. Jairinho foi condenado em junho a mais de 40 anos de prisão pela morte do menino Henry Borel

O vereador Leniel Borel (PP), pai do menino Henry Borel, reagiu à apreensão de um celular encontrado nesta quarta-feira (1) na cela do ex-vereador Jairo de Souza Santos Júnior, o Jairinho, condenado a mais de 40 anos de prisão pela morte da criança. 

O aparelho foi achado escondido entre livros durante uma vistoria realizada pela Secretaria de Polícia Penal (Seppen), no Complexo de Gericinó, na Zona Oeste do Rio, após informações de inteligência indicarem que o ex-parlamentar estaria usando o telefone dentro da unidade prisional.

Leniel cobrou respostas sobre como o celular entrou na unidade, há quanto tempo estava com Jairinho e se houve participação de servidores da Seppen ou de terceiros. Assistente de acusação no processo sobre a morte de Henry, ele associou o episódio às diversas tentativas de adiamento do julgamento realizadas pelo ex-vereador. 

Segundo Leniel, a investigação deve apurar se o aparelho foi usado para manter contatos ou articulações de dentro do presídio, inclusive para influenciar o julgamento.

“Esse é o sistema do qual ele faz parte, que lhe permite uma estrutura para que o presídio funcione como um escritório de articulação criminosa. Esse privilégio ao qual ele teve amplo acesso, em Bangu 8, se manifestou em protelação do processo e do próprio julgamento, que só não foi adiado na segunda data porque o Ministério Público solicitou a transferência dele a Bangu 1, de segurança máxima, fazendo-o voltar atrás na manobra para adiar o júri”, afirmou.

Jairinho foi condenado a 43 anos pela morte de Henry Borel

Jairinho está preso desde 2021 no complexo de Bangu, quando foi acusado pela morte do enteado, de apenas 4 anos. No início de junho deste ano, ele foi condenado a 43 anos e 9 meses de prisão pelos crimes de homicídio qualificado e tortura contra o menino Henry Borel.

Atualmente, Jairinho está em Bangu 8, unidade do Gericinó que historicamente abriga políticos, empresários e ex-agentes públicos envolvidos em casos de grande repercussão. Já passaram pelo local nomes como os dos ex-governadores Sérgio Cabral e Anthony Garotinho, além do ex-deputado federal Roberto Jefferson, do ex-vereador Gabriel Monteiro e de Domingos Brazão, condenado como mandante do assassinato da vereadora Marielle Franco.

Jairinho tentou adiar o julgamento pela morte de Henry em diferentes momentos e apresentou, ao longo do processo, uma série de questionamentos sobre a condução das investigações. Às vésperas da retomada do júri que terminou em sua condenação, o ex-vereador chegou a destituir a equipe de defesa após um dos advogados sofrer um infarto, em uma nova tentativa de postergar a análise do caso. Ele recuou, no entanto, depois que o Ministério Público pediu sua transferência para Bangu 1, unidade de segurança máxima destinada a lideranças criminosas e presos de alta periculosidade.

A Seppen informou que a Corregedoria-Geral abriu procedimento disciplinar para apurar a conduta do preso e eventual envolvimento de funcionários do sistema penitenciário. Também disse que Jairinho será colocado em isolamento.

“A instituição reforça que mantém fiscalização constante nas unidades prisionais, atuando para impedir a entrada e circulação de itens proibidos, e garantir a segurança no sistema prisional fluminense”, disse o órgão em nota.

A ocorrência está em andamento e será apresentada na 34ª DP (Bangu).

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