O Globo – Na cobertura de 202 metros quadrados com vista para o mar da Praia do Recreio, na Zona Oeste do Rio, há lembranças de Henry Borel Medeiros em todos os cômodos — em um quarto, roupas, sapatos e bonecos ocupam armários e prateleiras; no outro, documentos, desenhos e bilhetes estão nas gavetas; na varanda, uma bola de futebol está próxima à piscina; na sala, fotos, livros e um quadro com o nome dele exibe a senha do wi-fi do apartamento.
Às vésperas de completar um ano da morte do menino, Leniel Borel de Almeida diz não ter forças para se desfazer dos objetos do filho. O engenheiro conta que planeja doá-los para vítimas de violência doméstica de uma organização não governamental (ONG) que agora está criando.
— O Henry era uma criança maravilhosa, só alegria a todo o momento, era super educado, amável, o filho que qualquer um queria ter. Até hoje, não consigo entender por que ele foi agredido, torturado e assassinado e, principalmente, como a mãe não o protegeu, não se preocupou e deixou acontecer a pior coisa da minha vida — emociona-se Leniel.
Em entrevista ao GLOBO, ele revela acreditar que a ex-mulher, a professora Monique Medeiros da Costa e Silva, tenha segurado Henry pelos braços para que o então namorado dela, o médico e ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, torturasse e matasse o menino.
O engenheiro supõe, assim como a acusação do Ministério Público, que, enquanto ela via vantagem financeira no namoro em detrimento da saúde física e mental do seu filho, ele agiu por sadismo, tendo praticado as agressões para satisfazer o seu próprio prazer.






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