Moraes vê vídeos de Paulo Figueiredo e conclui que ele foi notificado da denúncia por tentativa de golpe

Ministro do STF cita declarações públicas do economista, que vive nos EUA, para validar ciência da acusação feita pela PGR

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), considerou que o economista Paulo Figueiredo Filho já foi formalmente notificado da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que o acusa de envolvimento em uma tentativa de golpe de Estado. Moraes fundamentou sua conclusão em vídeos publicados pelo próprio acusado nas redes sociais, nos quais ele comenta publicamente o processo, informa O Globo.

Segundo o ministro, as gravações indicam que Figueiredo tem “pleno conhecimento da acusação” e, portanto, não há prejuízo processual em reconhecer que ele foi notificado. “A ciência inequívoca do acusado indica a ausência de qualquer prejuízo na realização de sua notificação”, escreveu Moraes, destacando ainda que o economista está fora do país e sem endereço conhecido, o que inviabilizaria outras formas de intimação além do edital, já determinado em fevereiro.

A denúncia contra Figueiredo integra uma ampla ação movida pela PGR sobre a articulação de uma tentativa de golpe, que envolve outros 33 acusados. Para facilitar a tramitação, o caso foi dividido em cinco núcleos. Figueiredo aparece sozinho no quinto grupo, justamente por residir nos Estados Unidos.

Enquanto os demais denunciados já apresentaram defesa e tiveram as denúncias recebidas pelo STF, Figueiredo não havia se manifestado formalmente até o momento. A ausência de resposta levou o Supremo a nomear a Defensoria Pública da União (DPU) para representá-lo judicialmente.

Em vídeo, Figueiredo diz que está “louco para ser interrogado”

Em um dos vídeos utilizados por Moraes como prova da ciência da acusação, Figueiredo afirma estar “louco para ser interrogado”, o que reforçou para o ministro que o acusado acompanha o andamento do processo.

A PGR sustenta que o economista tentou pressionar os comandantes das Forças Armadas para que apoiassem uma ruptura institucional após a derrota do ex-presidente Jair Bolsonaro nas eleições de 2022. Em sua defesa pública, Figueiredo nega ter participado de qualquer conspiração e afirma que apenas relatou, como jornalista e comentarista, os bastidores do alto comando do Exército na ocasião.

Com a nova decisão de Moraes, o processo contra Paulo Figueiredo deverá avançar no mesmo ritmo das demais ações da chamada “trama golpista”, que envolve ex-assessores, militares e aliados do ex-presidente.

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