Moraes recebe notificação por e-mail sobre ação da Rumble e Trump Media contra decisões do magistrado

Justiça da Flórida autorizou envio de citação por e-mail após plataformas alegarem dificuldades nos trâmites diplomáticos com o Brasil

O advogado estadunidense Martin De Luca afirmou nesta segunda-feira (25) que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi oficialmente notificado sobre a ação judicial movida nos Estados Unidos pela plataforma de vídeos Rumble e pela Trump Media & Technology Group, empresa ligada ao presidente Donald Trump.

Segundo De Luca, a comunicação foi realizada por e-mail institucional após autorização concedida pela Justiça Federal da Flórida.

“Hoje, em cumprimento a uma ordem de um tribunal federal dos EUA, a Rumble e a Trump Media notificaram o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal do Brasil, por e-mail”, publicou o advogado na rede social X.

A ação judicial foi aberta pelas duas empresas estadunidenses com o objetivo de contestar decisões de Moraes relacionadas a bloqueios de contas e restrições impostas a usuários ligados à direita política.

As companhias argumentam que as determinações do magistrado brasileiro violariam garantias constitucionais previstas na legislação dos Estados Unidos, especialmente princípios ligados à liberdade de expressão.

Justiça dos EUA autorizou notificação eletrônica

A citação de Alexandre de Moraes por e-mail rompeu o modelo tradicional utilizado em processos envolvendo autoridades estrangeiras, que normalmente exige tramitação diplomática internacional.

A medida foi autorizada na última sexta-feira (22) pela Justiça Federal da Flórida, após os advogados do Rumble e da Trump Media alegarem que os mecanismos formais previstos na Convenção de Haia estariam travados no Brasil.

Segundo os representantes das empresas, decisões judiciais e procedimentos adotados por órgãos brasileiros teriam impedido o avanço da notificação oficial por vias diplomáticas.

Diante disso, a Corte dos EUA autorizou que a citação fosse feita diretamente pelos e-mails institucionais do Supremo Tribunal Federal.

A decisão também estabeleceu prazo de 30 dias para que as empresas comprovassem o envio da documentação ao ministro brasileiro.

Na prática, a autorização destrava o andamento da ação em território estadunidense.

Caso Alexandre de Moraes não apresente resposta dentro do prazo legal ou não solicite ampliação do período de defesa, os autores poderão pedir à Justiça dos Estados Unidos a decretação de revelia.

Empresas questionam decisões de Moraes

O processo aberto nos Estados Unidos gira em torno de decisões do ministro Alexandre de Moraes que determinaram bloqueios de contas e restrições envolvendo usuários localizados fora do Brasil.

As empresas sustentam que ordens emitidas pelo magistrado teriam extrapolado a jurisdição brasileira ao atingir plataformas e perfis sediados nos Estados Unidos.

O Rumble, uma plataforma de vídeos popular entre grupos conservadores estadunidenses, está suspenso no Brasil desde fevereiro de 2025.

As medidas questionadas pelas companhias envolveram principalmente contas ligadas a influenciadores e usuários identificados com setores da direita política.

O STF, por sua vez, tem reiterado que todas as decisões do ministro Alexandre de Moraes seguem a legislação brasileira e a jurisprudência consolidada da Corte sobre liberdade de expressão, combate à desinformação e responsabilidade das plataformas digitais.

Até o momento, o gabinete de Moraes não se manifestou oficialmente sobre a decisão da Justiça Federal da Flórida nem sobre a notificação enviada pelas empresas dos EUA.

Disputa amplia tensão internacional

O caso passou a ser acompanhado com atenção tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos por envolver questões de soberania jurídica, liberdade de expressão e alcance internacional de decisões judiciais.

A participação da Trump Media & Technology Group no processo também elevou a repercussão política da disputa, especialmente pela proximidade da empresa com Donald Trump.

A ofensiva judicial das companhias ocorre em meio ao aumento da pressão de plataformas digitais e grupos conservadores estadunidenses contra decisões de autoridades estrangeiras que impactam conteúdos publicados em redes sociais e serviços online sediados nos EUA.

Especialistas avaliam que a disputa poderá abrir precedentes importantes sobre os limites de atuação de tribunais nacionais em ambientes digitais globais.

Enquanto isso, o processo segue avançando na Justiça da Flórida à espera de eventual manifestação formal do ministro Alexandre de Moraes.

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