Moradores de três bairros de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, acusam uma fábrica de alumínio de lançar fuligem tóxica no ar e provocar graves problemas respiratórios na comunidade. A denúncia foi revelada em reportagem da TV Globo nesta quarta-feira (2), com relatos de sintomas como sangramentos nasais, crises de asma e irritações constantes, além de registros frequentes de uma fumaça branca e partículas pretas se espalhando pela vizinhança.
A principal suspeita é a empresa Alutech Alumínio Tecnologia, especializada na recuperação de sucatas e localizada a cerca de dois quilômetros das áreas afetadas. A empresa opera com benefícios fiscais concedidos pelo governo do estado.
“Quando soltam a poeira, eu sinto muita dor de cabeça. Me provoca isso aqui, ó: sangria no nariz”, relatou Francisco Reinaldo Bezerra, comerciante no bairro Vila Milza. Ele afirma que sua loja de ferragens amanhece todos os dias coberta por um pó escuro.
Em ruas como a Jorge Abdala Chama, paralela à Rodovia Washington Luiz, a situação se repete. “Tenho uma vila com oito casas. Todas as famílias vivem tossindo, com escorrimento no nariz, usando remédio direto. À noite, fica aquele nevoeiro, mas não é serração, é fuligem da empresa”, contou Wellington Soares da Silva, morador da região.
Imagens gravadas por moradores mostram a fumaça branca saindo da direção da fábrica e se dissipando entre as casas, cobrindo carros, telhados e calçadas. Alguns moradores chegaram a recolher a fuligem em sacos plásticos como forma de documentar a poluição.
De acordo com o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), a responsabilidade pela fiscalização da fábrica é da Prefeitura de Duque de Caxias, que emitiu a licença ambiental. Já a Secretaria da Fazenda do Estado informou que a concessão de incentivos fiscais à Alutech pode ser suspensa caso fique comprovado dano ambiental.
O pneumologista Eduardo Algranti, coordenador da Comissão de Doenças Respiratórias Ambientais da Sociedade Brasileira de Pneumologia, alertou para os riscos. “A curto prazo, pode haver agravamento em pacientes com doenças respiratórias crônicas, como asma ou doença pulmonar obstrutiva crônica. A longo prazo, o risco de câncer de pulmão também aumenta”, afirmou.
A Alutech foi procurada pela reportagem, mas não respondeu até a publicação desta matéria. Enquanto isso, os moradores seguem expostos diariamente à poluição e à incerteza sobre os impactos de longo prazo à saúde.
Veja as imagens da reportagem no link abaixo:





