Aos 121 anos, Deolira Glicéria Pedro da Silva, moradora de Itaperuna, no Noroeste Fluminense, foi reconhecida oficialmente como a mulher mais idosa do Brasil. A Rank Brasil, entidade responsável pela homologação de recordes nacionais, emitiu o certificado. Dona Deolira nasceu no dia 10 de março de 1905.
O reconhecimento brasileiro pode ser um passo para uma tentativa ainda mais ambiciosa: comprovar a idade da idosa junto ao Guinness World Records e torná-la candidata ao título de pessoa mais longeva do mundo. Atualmente, a inglesa Ethel May Caterham, de 119 anos, é reconhecida pela entidade como a pessoa mais velha do planeta.
A comprovação foi dificultada pela perda de documentos originais ao longo da vida. Em 1977, uma enchente atingiu a casa onde a mulher morava e destruiu parte dos registros pessoais.
De Porciúncula a Itaperuna
Nascida em Porciúncula, também no Noroeste Fluminense, Deolira viveu na cidade durante a maior parte da vida. Há cerca de cinco anos, mudou-se para Itaperuna.
Para reconstruir a documentação, a família precisou recorrer a cartórios e buscar registros antigos. A Arquidiocese de Campos também auxiliou na validação da certidão de batismo.
O recorde brasileiro anterior reconhecido pelo Rank Brasil era atribuído à paranaense Maria Olívia da Silva, que morreu em 2010, aos 130 anos.
Dois anos do recorde mundial
Caso a idade de Deolira seja comprovada pelos critérios internacionais, ela ficaria a pouco mais de um ano do recorde de longevidade humana oficialmente reconhecido.
A francesa Jeanne Calment é considerada, até hoje, a pessoa que mais viveu. Ela morreu em 1997, aos 122 anos e 164 dias.
A busca por documentos antigos, no entanto, é um dos principais obstáculos enfrentados por pessoas que reivindicam idades acima dos 110 anos. Registros de nascimento eram menos frequentes no início do século passado, principalmente em áreas rurais, e documentos podem ter sido destruídos por enchentes, incêndios ou simplesmente perdidos ao longo das décadas.
Uma vida no campo
Deolira passou a maior parte da vida trabalhando na lavoura ao lado do marido e criando os sete filhos. Apenas três deles estão vivos.
A rotina afastada dos centros urbanos também contribuiu para a escassez de registros capazes de comprovar diferentes momentos de sua trajetória.
O nascimento ocorreu em uma época em que o Brasil ainda era governado por Rodrigues Alves. Deolira nasceu antes do voo do 14-Bis, do primeiro Campeonato Carioca e da criação da televisão.







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