Mocidade Alegre, Gaviões e Império brilham no 2º dia do Grupo Especial de São Paulo

Desfiles no Anhembi reúnem homenagens a Léa Garcia, povos originários, religiosidade e ícones internacionais; Camisa Verde e Branco estoura o tempo

A segunda noite de desfiles do Grupo Especial do Carnaval de São Paulo, entre a noite de sábado (14) e a manhã deste domingo (15), foi marcada por enredos de forte apelo histórico, religioso e cultural. No Sambódromo do Anhembi, Mocidade Alegre, Gaviões da Fiel e Império de Casa Verde despontaram entre os principais destaques da jornada.

Também cruzaram a avenida Águia de Ouro, Estrela do Terceiro Milênio, Tom Maior e Camisa Verde e Branco. Apenas esta última ultrapassou o limite regulamentar de 65 minutos, após enfrentar problemas com o último carro alegórico.

Na sexta-feira, primeira noite de apresentações, os maiores elogios recaíram sobre Dragões da Real, Acadêmicos do Tatuapé e Vai-Vai. Rosas de Ouro, Barroca Zona Sul, Colorado do Brás e Mocidade Unida da Mooca completaram o grupo. A apuração que definirá a campeã do carnaval paulistano está marcada para terça-feira (17).

Império abre com luxo e ancestralidade

Responsável por abrir o segundo dia, a Império de Casa Verde levou à avenida um enredo dedicado às joias afro-brasileiras e à trajetória das escravizadas de ganho. A escola construiu sua narrativa a partir da força feminina e dos balangandãs, símbolos de resistência cultural.

O desfile começou com um abre-alas dourado e imponente, destacando uma figura em posição de reza. Ao longo do percurso, grandes alegorias representaram altares, rainhas africanas e o sincretismo religioso. O conjunto chamou atenção pela riqueza estética, com fantasias elaboradas e forte impacto visual.

Águia voa sobre Amsterdam

A Águia de Ouro apostou em uma viagem internacional ao apresentar o enredo “Mokum Amesterdã: o voo da Águia à cidade libertária”. A escola transformou o Anhembi em um recorte da capital holandesa, com referências às tradicionais casas estreitas, moinhos e campos de tulipas.

O desfile citou personalidades como Anne Frank, Vincent Van Gogh e Piet Mondrian, abordou a liberdade LGBTQIAPN+ e retratou o Distrito da Luz Vermelha. Em tom bem-humorado, a escola levou à avenida um “bonecão de maconha” para simbolizar “o verde permitido”, em referência à política de cannabis na Holanda. Foi a apresentação mais ágil da noite, concluída em 58 minutos.

Mocidade homenageia Léa Garcia

Com o enredo “Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra”, a Mocidade Alegre celebrou o legado da atriz Léa Garcia. A comissão de frente abriu o desfile com a participação de Thelma Assis no papel de Léa e Fred Nicácio representando Abdias Nascimento.

O abre-alas destacou elementos da ancestralidade africana, enquanto outras alegorias trouxeram referências ao prêmio Kikito, do Festival de Gramado, e a divindades negras. Uma representação de Iemanjá chamou atenção ao jorrar água na avenida. Apesar de precisar acelerar no trecho final, a escola conseguiu encerrar dentro do tempo regulamentar.

Gaviões exalta povos originários

Terceira colocada em 2025, a Gaviões da Fiel apresentou um enredo voltado aos povos originários e à preservação das florestas. A proposta evitou o uso do verde como cor predominante, justificando a escolha pela ideia de uma floresta em transe.

O maior carro do carnaval paulistano em 2026 foi da escola: um abre-alas de 72 metros de comprimento que simbolizava um sonho de harmonia entre animais, plantas e seres humanos. Lideranças indígenas como Sônia Guajajara e o cacique Raoni foram homenageadas, e o desfile terminou com a imagem de um Brasil “indigenizado”, representado por um Cristo Redentor com cocar.

Outros desfiles da noite

A Estrela do Terceiro Milênio exaltou o compositor Paulo César Pinheiro, com referências a nomes como Baden Powell, Clara Nunes e Dona Ivone Lara. O carro “Canto das Três Raças”, monocromático e com bandeiras estampando “justiça social”, foi um dos momentos de destaque.

A Tom Maior, de volta ao Grupo Especial, contou a trajetória de Chico Xavier e a história de Uberaba. Um dos carros teve falha na iluminação, mas o problema foi rapidamente solucionado. No encerramento, a escola celebrou o espiritismo e espalhou cheiro de rosas pela avenida.

Já o Camisa Verde e Branco levou para o Anhembi o enredo dedicado às manifestações de Exu. Desfilando ao amanhecer, a escola apresentou alegorias com búzios, plumas e figuras como Maria Padilha e Zé Pelintra. O último carro, no entanto, parou na pista e precisou ser empurrado, fazendo a agremiação ultrapassar o tempo máximo, com 66 minutos.

Com apresentações grandiosas e temáticas diversas, o Grupo Especial de São Paulo encerra os desfiles aguardando a apuração que definirá a campeã de 2026.

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