O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou nesta quarta-feira (24) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deveria retirar o senador Jaques Wagner da liderança do governo no Senado. As declarações foram feitas em meio às suspeitas envolvendo o parlamentar e o Banco Master.
“Tem momentos em que a pessoa tem que deixar a posição”
Em entrevista, Marinho defendeu que o afastamento seria uma medida adequada diante do cenário atual. “Torço para que de fato não tenha absolutamente nada em relação a Wagner, uma pessoa que respeitamos muito. Se ele continua ou não na liderança são coisas diferentes. Tem momentos em que a pessoa tem que deixar sua posição para se defender”, afirmou.
O ministro também foi direto ao declarar sua posição pessoal sobre o tema: “Eu optaria em substituí-lo”.
Haddad sai em defesa de Wagner
O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad afirmou, em entrevista à coluna de Mônica Bergamo, que Wagner teria atuado contra interesses do Banco Master e colaborado para bloqueios de propostas ligadas à instituição. Ele ainda declarou: “Posso depor onde ele quiser”.
Marinho reconheceu que Haddad seria uma das figuras mais qualificadas para defender o senador, já que teria participado diretamente de articulações com Wagner no Congresso, mas manteve sua avaliação de que a saída do cargo deveria ser considerada.
Investigações da Polícia Federal ampliam pressão
As suspeitas envolvendo o senador são apuradas pela Polícia Federal. Segundo as investigações, haveria indícios de pagamentos ligados ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, incluindo repasses à empresa da esposa do enteado de Wagner e um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões.
A PF também identificou um pagamento de R$ 3,5 milhões feito por uma empresa associada a Augusto Lima ao núcleo familiar do senador. Lima teria sido sócio de Vorcaro no banco, ampliando a rede de relações investigadas.
O caso também envolve decisões e análises no âmbito do Supremo Tribunal Federal, por meio do ministro André Mendonça, que apontou elementos de proximidade entre o parlamentar e os investigados.
Defesa de permanência e articulações políticas
Jaques Wagner, que chegou a Brasília nesta quarta-feira, tenta convencer o presidente Lula a mantê-lo no cargo ao menos até o recesso parlamentar, previsto para 19 de julho. O senador nega todas as acusações e afirma que eventual afastamento poderia prejudicar a articulação política do governo na Bahia.
Nos bastidores, porém, auxiliares do presidente avaliam que Lula pode pressionar o senador a deixar a liderança do governo no Senado, diante do avanço das investigações e do desgaste político crescente.






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