O Ministério da Saúde do governo Bolsonaro não apresentou planejamento para produção ou compra de imunizantes que seja capaz de impulsionar a vacinação no ano que vem.
Não está previsto que no próximo ano haverá mais doses do que em 2022. Desde 2016, a cobertura vacinal está em queda.
As informações são de Carlos Madeiro, no UOL.
O Instituto Butantan informou que não tem nenhum contrato assinado com a pasta para aquisição de vacinas ao PNI (Programa Nacional de Imunização) em 2023 —isso inclui doses de imunizantes contra tuberculose e poliomielite, por exemplo.
Segundo Dimas Covas, diretor executivo da Fundação Butantan, apenas no último dia 13 o ministério enviou uma solicitação de proposta para compra de 80 milhões de vacinas da gripe. Esse acordo já deveria estar fechado pelo menos desde novembro.
“Nós já encaminhamos a proposta e estamos no aguardo. Mas só houve indicativo de resolução da vacina da gripe, não para as demais”, diz.

No caso da CoronaVac, Dimas diz que o Butantan parou a produção há quatro meses, após o governo fazer a última compra de doses. “Temos aqui ainda 2,5 milhões de doses, ao mesmo tempo que temos ouvido vários estados com a segunda dose [para o público infantil] atrasada. Não houve manifestação sobre aquisição, e aguardamos o próximo governo definir sobre a CoronaVac.”
O Butantan repetiu o planejamento da produção de vacinas no mesmo quantitativo de 2022 (veja aqui o calendário básico de vacinação). São produzidas pelo Butantan vacinas contra seis doenças. O número de doses é suficiente apenas para manter os atuais patamares, que não chegam a 80% da cobertura vacinal. Dimas afirma que é preciso planejamento, pois a produção demanda tempo. “Não se aumenta da noite para o dia.”
O Instituto Bio-Manguinhos, da Fiocruz, informou que a pasta já solicitou produção e fechou acordos para 2023 para todas as vacinas do PNI. Falta, porém, o acordo pelo imunizante contra covid-19. “Ainda está em negociação, pois a campanha vacinal para covid para o próximo ano não foi definida”, diz o instituto.
O Bio-Manguinhos informou que, ao contrário do Butantan, não assina contrato com o Ministério da Saúde porque a Fiocruz faz parte da pasta. O instituto produz vacinas contra oito doenças.
A Fiocruz é responsável pela produção da Astrazeneca, segunda vacina mais aplicada contra a Covid-19 no Brasil, com 130 milhões de doses (30,9% do total), atrás apenas da Pfizer. Ampliar a vacinação é uma das metas emergenciais para os 100 primeiros dias do próximo governo.






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