Com vacinas, medicamentos e insumos hospitalares próximos de ultrapassar o prazo de validade, deixados pelo governo anterior, que não os distribuiu, o Ministério da Saúde está traçando uma estratégia de distribuição dos medicamentos para hospitais federais, municípios e outros países. Segundo a secretária de Vigilância em Saúde, Ethel Maciel, o objetivo é evitar que os produtos sejam desperdiçados.
Maciel disse que a pasta constatou um alto volume de materiais comprados pelo governo Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19 em uma visita feita ao depósito de estoque em Guarulhos, São Paulo, dia 2 de abril. Parte deles, perto de vencer.
– Verificamos que havia muitos insumos que agora precisam chegar à população. Além das vacinas, temos luvas, seringas e capotes. Instrumentos que, normalmente, não compraríamos para distribuição – afirmou.
O plano de distribuição está em produção por um grupo de trabalho da pasta, e deve ficar pronto, segundo Maciel, até o começo de maio. O ministério já sinaliza que vacinas contra a Covid devem ser enviadas para outros países, e, para isso, iniciou tratativas com a Organização Pan-americana de Saúde (Opas).
Outras levas de imunizantes contra a febre-amarela e contra a raiva, cuja quantidade extrapola a demanda da população, serão entregues para estados e municípios conforme a necessidade. Já materiais como luvas e seringas serão enviados para hospitais federais.
A ação reduz os desperdícios, mas, ainda assim, parte dos medicamentos devem ser incinerados. O número dos produtos descartados será divulgado após o término do relatório.
Para a secretária, o desperdício de vacinas é resultado de desarticulação entre os entes públicos e ausência de campanha de vacinação durante a gestão Bolsonaro.
– Não necessariamente houve erro na aquisição, os erros aconteceram depois disso por falta de articulação de estados e municípios. O desalinhamento que aconteceu nas políticas públicas do governo federal fez causou essa desestruturação. Também não tivemos um planejamento para entregas dessas vacinas, além de uma campanha de desestímulo – comentou.





