Milhares de pessoas se reuniram neste domingo (27) nos arredores da Basílica Santa Maria Maior, em Roma, para o primeiro dia de visitações à tumba do Papa Francisco. As informações são da Folha de S.Paulo. O pontífice argentino, sepultado na véspera em uma das capelas do templo localizado no centro da capital italiana, atraiu principalmente jovens, muitos deles presentes na cidade para o Jubileu, maior evento do calendário católico, que ocorre a cada 25 anos. Este ano, a celebração ganhou ainda mais significado ao coincidir com o funeral do pontífice.
Segundo dados da prefeitura de Roma, até o início da tarde, cerca de 30 mil pessoas já haviam visitado o túmulo. A fila para acesso serpenteava por quarteirões próximos à basílica, em um fluxo contínuo que contrastava com outra grande cerimônia realizada simultaneamente: a segunda missa do novendiali, os nove dias de luto oficial em homenagem a Francisco. Somente após esse período poderá ser iniciado o conclave que escolherá o próximo Papa.
Fiéis católicos, turistas e admiradores começaram a visitar o túmulo do papa Francisco na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, aberto ao público na manhã deste domingo (27), um dia após seu sepultamento.
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Entre os fiéis, o sentimento era de gratidão e esperança. Alessandro Grasso, operário de Nápoles, resumiu o momento: “Não podemos escolher. Eles vão escolher”, disse, referindo-se aos cardeais que conduzirão o conclave. Ao seu lado, a amiga Noemi Curcio completou: “O Senhor o escolherá, eu sei. Mas esperamos um papa que esteja em sintonia com os tempos e consiga falar melhor com os jovens. São muitas as portas que Francisco deixou abertas, esperamos poder continuar a segui-las.”
O desejo por um pontífice que dialogue com as novas gerações também foi expressado pelo alemão Dominic Kuhl, desenvolvedor de software residente em Viena. “Tenho 26 anos e, ao menos na Europa, vejo muitos jovens atraídos pela liturgia da Igreja Católica, uma igreja mundial, apegada aos seus rituais”, disse. Apesar da aparente inclinação tradicionalista, Dominic destacou o perfil pastoral de Francisco: “As pessoas eram sua primeira preocupação. Ele não dizia apenas ‘faça o que quiser’, mas ‘faça a vontade de Deus’. Francisco pensava assim. Embora visto como controverso, não acho que ele fosse propriamente liberal.”
Dominic, que chegou cedo, esperou 20 minutos para se aproximar da sepultura, mas no decorrer do dia o tempo de espera ultrapassou uma hora. A descrição do túmulo reforça o espírito de simplicidade pedido por Francisco em seu testamento: “É um túmulo pequeno, com uma pedra branca e seu nome inscrito nela. É muito simples”, relatou.
Regras rígidas: fotos são proibidas
O Papa Francisco havia manifestado expressamente o desejo de ser sepultado na Basílica Santa Maria Maior, sua igreja preferida em Roma. A lápide, feita em mármore da Ligúria — terra natal de seus avós —, traz apenas seu nome em latim: Franciscus. Na parede da capela Paulina, onde a tumba está localizada, há uma reprodução do crucifixo que acompanhava o pontífice em vida.
As regras de visitação são rígidas: os fiéis são orientados pelos policiais a não pararem diante da tumba, e fotos são proibidas. “Às vezes é melhor não tirar fotos. Apenas olhar e lembrar-se do que viu. Basta fechar os olhos e lembrar”, disse Alessandro, que preferiu registrar apenas imagens de outros espaços da basílica.
Esta é a primeira vez em 122 anos que um Papa é enterrado fora do Vaticano. Para Noemi Curcio, a experiência foi única: “É uma experiência que não se espera ter na vida”, afirmou, emocionada.
O número de visitantes deve continuar crescendo nos próximos dias, com o Jubileu e o novendiali mobilizando multidões em Roma, enquanto o mundo católico se prepara para um novo capítulo com a escolha do sucessor de Francisco.
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