Milhares de pessoas formaram filas que deram voltas na praça São Pedro, no Vaticano, nesta quarta-feira (23), para prestar as últimas homenagens ao papa Francisco, cujo corpo foi transferido para a Basílica de São Pedro após dois dias de velório reservado. A informação é da Folha de São Paulo, que acompanhou de perto a movimentação desde as primeiras horas do dia.
A espera média para entrar na basílica e se aproximar do caixão chegou a até oito horas, segundo relatos de visitantes. À medida que a tarde avançava (início da manhã no Brasil), a fila já contornava toda a colunata da praça, que tem 240 metros de diâmetro, e o fluxo de pessoas não dava sinais de diminuir. Diante da grande procura, o Vaticano estuda estender o horário de visitação, inicialmente previsto para até as 19h (meia-noite em Roma) nas próximas noites.
O caixão do papa, posicionado diante do altar da Confissão, pode ser visitado até sexta-feira (25), véspera do funeral, que será celebrado com uma missa na manhã de sábado (26). Estima-se que até 1,5 milhão de pessoas passem pela basílica nos dias de velório aberto ao público.
Apesar da longa espera, muitos persistem. O romano Angelo Oliveri, de 28 anos, chegou cedo à praça para assistir à chegada do caixão e permaneceu mais de três horas na fila. “Foi uma emoção enorme. Poder ver tantos rostos emocionados, de jovens, crianças, idosos… É uma sensação profunda que faz bem para o coração”, contou ele à Folha de São Paulo.
A entrada na basílica ocorre pela Porta Santa, aberta excepcionalmente desde dezembro por conta do Jubileu da Igreja. Lá dentro, é necessário percorrer todo o corredor da nave central antes de se aproximar do caixão. A emoção toma conta de muitos visitantes nesse momento. “Irmãs, não parem de andar”, alertava um segurança a um grupo de religiosas que reduziu o passo ao avistar o corpo do pontífice.
O cenário é marcado pela diversidade: turistas que estavam de férias coincidentemente em Roma, peregrinos sem acesso prioritário, moradores locais, famílias em passeio escolar, padres e freiras. Sob o sol e temperaturas acima dos 20°C, guarda-chuvas se transformaram em proteção improvisada e celulares foram erguidos por quase todos os que se aproximaram do caixão – o registro fotográfico se tornou quase tão natural quanto o sinal da cruz.
A organização, no entanto, foi alvo de críticas. Alguns visitantes reclamaram da falta de orientação e da confusão entre filas distintas, como as de segurança e controle de acesso. Pessoas com mobilidade reduzida, por outro lado, contaram com atendimento facilitado.
Mesmo jornalistas credenciados enfrentaram longos períodos de espera. A reportagem da Folha, por exemplo, precisou de duas horas para acessar o interior da basílica, em grupos reduzidos.
O adeus ao papa Francisco, um dos líderes mais populares da história recente da Igreja Católica, já mobiliza não apenas os fiéis, mas a cidade de Roma e milhões de pessoas ao redor do mundo. A cerimônia fúnebre, marcada para sábado, deverá ser transmitida globalmente e contará com a presença de autoridades e religiosos de diversos países.





