Metade dos policiais da Core não usou câmeras na megaoperação dos 121 mortos

Apenas 57 dos 128 agentes da unidade de elite estavam com câmeras corporais durante a megaoperação; delegado cita falhas técnicas

Menos da metade dos policiais da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), unidade de elite da Polícia Civil do Rio de Janeiro, utilizou câmeras corporais durante a megaoperação realizada nos complexos do Alemão e da Penha, há duas semanas. Dos 128 agentes mobilizados, apenas 57 estavam com o equipamento.

Problemas técnicos impediram uso das câmeras
A informação foi prestada pelo coordenador da Core, delegado Fabrício Oliveira, em depoimento ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) na segunda-feira (10). O conteúdo da oitiva foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) junto a outros documentos sobre a atuação do MP na operação.

Segundo Oliveira, a Core possui cerca de 100 câmeras disponíveis, mas ao menos 32 não puderam ser usadas por problemas técnicos relatados pela empresa responsável. “Tivemos 57 policiais com câmeras e 32 ficaram indisponíveis por falhas da empresa”, afirmou o delegado.

Agentes relataram falhas na retirada dos equipamentos
O coordenador também declarou que alguns agentes enfrentaram dificuldades para retirar os equipamentos, mesmo além das unidades já consideradas fora de operação. “Os que não estavam utilizando câmeras relataram que encontraram problemas para retirar. A empresa alega que apenas 32 estavam indisponíveis, mas houve um problema operacional maior”, disse Oliveira.

O delegado destacou que falhas pontuais já haviam ocorrido em outras ocasiões, mas não em número tão alto. Ele explicou ainda que o contingente envolvido na megaoperação foi significativamente superior ao de ações anteriores.

Core não confirma mortes provocadas por seus agentes
Durante o depoimento, Oliveira afirmou que não há confirmação de que mortes registradas durante a ação tenham sido causadas por agentes da Core. De acordo com o delegado, policiais encontraram quatro corpos, mas não é possível atribuir a autoria das mortes à unidade.

Procurada, a Polícia Civil informou que “não comentará declarações feitas no contexto de um procedimento sigiloso”.

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