Meta diz ao TSE que garante tratamento igual às campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro

Empresa responsável por Facebook, Instagram e WhatsApp responde cobrança da Justiça Eleitoral após denúncias de distribuição desigual de publicações e diferenças no funcionamento de ferramentas de inteligência artificial

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A Meta, empresa responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp, informou nesta terça-feira (20) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que adotou as medidas determinadas pela Justiça Eleitoral para assegurar tratamento igualitário às campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais. A manifestação ocorre após denúncias de possíveis diferenças na distribuição de conteúdos políticos e no funcionamento de ferramentas de inteligência artificial.

Em documento encaminhado à Corte, a companhia negou ter descumprido decisões judiciais ou dificultado a implementação das regras estabelecidas para as plataformas digitais durante a disputa eleitoral.

A resposta foi apresentada depois que o ministro Marco Aurélio Bellizze concedeu prazo de 24 horas para que a empresa detalhasse as providências adotadas para garantir condições equivalentes de divulgação das duas candidaturas.

A controvérsia envolve tanto o alcance de publicações nas redes sociais quanto o tratamento dado aos candidatos pela Meta AI, ferramenta de inteligência artificial desenvolvida pela companhia.

Meta afirma que conteúdos de Lula e Flávio recebem tratamento igualitário

Na manifestação enviada ao TSE, a empresa sustenta que seus mecanismos de distribuição de conteúdo político-eleitoral não favorecem nem prejudicam qualquer uma das campanhas presidenciais.

Segundo a Meta, uma declaração técnica apresentada no processo “atesta que os conteúdos relativos às duas candidaturas são tratados de forma igual e não discriminatória, e descreve o mecanismo que assegura essa isonomia”.

A companhia também rejeitou a existência de negligência ou resistência ao cumprimento das determinações judiciais.

“O Facebook Brasil e as equipes da Meta trabalham de forma incessante para produzir a documentação em cumprimento das dezessete alíneas da ordem”, afirma o texto.

A empresa declarou que suas equipes estão mobilizadas para apresentar as informações exigidas pela Justiça Eleitoral e demonstrar o funcionamento dos mecanismos destinados a assegurar igualdade de tratamento.

A manifestação responde diretamente à cobrança feita pelo ministro Marco Aurélio Bellizze, que exigiu esclarecimentos sobre a implementação das medidas anteriormente determinadas pela Corte.

Campanha de Lula denunciou restrições a publicações e imagens de IA

A disputa judicial começou após a campanha de Lula apresentar uma ação questionando o funcionamento das plataformas da Meta durante o segundo turno.

Na petição, a coligação do presidente alegou que a companhia “tem falhado, de forma reiterada e sistemática, na entrega de postagens da coligação”.

Segundo os advogados, publicações relacionadas à candidatura petista estariam enfrentando dificuldades de distribuição, o que poderia comprometer o alcance das mensagens eleitorais.

A campanha também apontou diferenças no comportamento das ferramentas de inteligência artificial da empresa.

De acordo com a ação, determinados comandos para geração de imagens envolvendo Lula eram recusados pela Meta AI, enquanto solicitações semelhantes relacionadas a Flávio Bolsonaro poderiam ser atendidas.

A coligação considerou que a diferença de tratamento poderia representar uma interferência indevida na disputa presidencial.

Outro ponto levantado pelos advogados foi o desempenho de perfis ligados à candidatura adversária.

A equipe de Lula mencionou publicações de apoiadores de Flávio Bolsonaro, incluindo o deputado federal Nikolas Ferreira, que teriam registrado números de visualizações considerados incompatíveis com os parâmetros habituais da plataforma.

Flávio Bolsonaro também alegou prejuízos nas plataformas

A controvérsia não ficou restrita à campanha do presidente Lula.

Flávio Bolsonaro também apresentou reclamações sobre o funcionamento das plataformas da Meta e afirmou que conteúdos relacionados à sua candidatura estariam sendo prejudicados.

O senador pediu ao TSE medidas para impedir o impulsionamento de publicações negativas contra sua campanha.

Com isso, as duas candidaturas passaram a questionar, por motivos diferentes, a forma como a empresa administra a circulação de informações políticas nas redes sociais.

A situação ampliou a pressão sobre a Justiça Eleitoral para estabelecer critérios que impeçam interferências indevidas das plataformas na disputa presidencial.

O debate ocorre na reta final da campanha, quando o alcance de publicações, anúncios e conteúdos produzidos com inteligência artificial pode influenciar a comunicação dos candidatos com os eleitores.

TSE estabelece regras para distribuição de conteúdo e uso de inteligência artificial

Em 15 de outubro, o ministro Marco Aurélio Bellizze determinou que a Meta adotasse medidas para assegurar tratamento equivalente às candidaturas de Lula e Flávio Bolsonaro.

Entre as determinações está a proibição de aplicar, de maneira discriminatória, mecanismos que reduzam a distribuição de conteúdos político-eleitorais relacionados a qualquer um dos candidatos.

A decisão também trata de restrições à recomendação de publicações e à possibilidade de localização desses conteúdos por meio das ferramentas de busca das plataformas.

O ministro estabeleceu ainda providências relacionadas aos sistemas de recomendação e às contas de anúncios utilizadas pelas campanhas, incluindo regras específicas para sua habilitação ou restrição.

Outro ponto central da decisão envolve a Meta AI.

A empresa deverá garantir que sua ferramenta de inteligência artificial utilize critérios idênticos ao analisar solicitações relacionadas aos dois candidatos.

A exigência busca evitar situações em que a tecnologia permita a criação de determinado conteúdo eleitoral envolvendo um concorrente, mas impeça a produção de material equivalente sobre o adversário.

Após a decisão inicial, a Justiça Eleitoral voltou a cobrar esclarecimentos da empresa e determinou a apresentação de documentação detalhada sobre o cumprimento das medidas.

A resposta encaminhada nesta terça-feira integra essa etapa de fiscalização.

Com o segundo turno marcado para domingo (25), o TSE acompanha o comportamento das plataformas digitais para verificar se as regras eleitorais estão sendo respeitadas.

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